O ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, deu ontem por encerrada a crise da vaca louca. ‘‘Do ponto de vista da carne, o episódio está encerrado’’, afirmou. ‘‘Nosso interesse, agora, é fazer negócios com o Canadá.’’ Ele esteve ontem no plenário do Senado, falando sobre as providências adotadas pelo Brasil para defender o rebanho bovino do mal da vaca louca e da febre aftosa.
Pratini disse aos senadores que o surgimento dessas duas doenças na Europa reduziu o consumo de carne bovina, chegando a 50% em alguns países. ‘‘Para a carne bovina brasileira é uma oportunidade de crescimento para os próximos meses, quando o consumo voltar a crescer’’, observou. ‘‘Mas para a carne de frango e de suínos, que substituem boa parte da demanda da carne bovina, a oportunidade é extraordinária e imediata.’’ Segundo informou, as exportações de frango cresceram 37% no primeiro bimestre em comparação a igual período de 2000, enquanto as vendas de suínos tiveram aumento de 90%.
Pratini disse que o Brasil poderá tornar-se o principal exportador de proteína animal do mundo. Atualmente, o País já é o segundo maior exportador de carne de frango e o terceiro maior fornecedor de carne bovina.
Para não perder essa oportunidade, disse o ministro, é preciso fortalecer os mecanismos de defesa sanitária no País e mantê-los constantemente atualizados. O gado brasileiro, avaliou o ministro, não tem problemas com o mal da vaca louca, e a aftosa está sob controle. Mas, admitiu, ‘‘não existe risco zero em nenhuma área da epidemiologia.’’
Ele considera que os cuidados com relação à saúde animal e vegetal são especialmente importantes porque os países ricos tendem a utilizar fragilidades nessa área como forma de evitar importações. ‘‘Estou, a cada dia, mais convencido de que o constante recurso às barreiras sanitárias constitui, em verdade, o novo nome do protecionismo.’’ Segundo o ministro, a estratégia brasileira é consolidar e ampliar as negociações para acordos de equivalência sanitária. Já há negociações em curso no Mercosul e União Européia. Ele informou, ainda, que o Brasil está negociando a retirada de barreiras sanitárias, como é o caso das restrições impostas pela Europa à entrada da carne suína brasileira. O governo já conseguiu derrubar as barreiras impostas pela Rússia à carne suína e agora está negociando a entrada de carne bovina.
Pratini queixou-se da falta de recursos humanos para manter em funcionamento um sistema adequado de defesa sanitária. Ele informou que proporá ao presidente Fernando Henrique Cardoso a criação de uma agência de vigilância sanitária animal, ‘‘para dar mais flexibilidade para realizarmos as ações necessárias.’’ Um concurso para contratação de 500 fiscais será realizado este ano, depois de 24 anos sem renovação de quadros, segundo informou o ministro.

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