Brasil pode ter safra recorde
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quarta-feira, 23 de outubro de 2002
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O Brasil deverá colher a maior safra de sua história. O anúncio foi feito ontem pelo ministro da Agricultura, Pratini de Moraes. Com base na pesquisa de intenção de plantio feita pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), o governo federal estima que a safra agrícola 2002/03 atinja volume recorde estimado entre 105 milhões e 110,6 milhões de toneladas de grãos.
A projeção reflete um aumento de 8,1% a 13,9% na comparação com a safra anterior, quando foram colhidas 97,1 milhões de toneladas. O levantamento foi realizado no período de 29 de setembro a 5 de outubro junto a agrônomos, técnicos de cooperativas e agentes financeiros das regiões Centro-Oeste, Sudeste, Sul e do Estado do Tocantins.
A área plantada deverá crescer entre 2,9% e 4,3% com as principais culturas de verão, o que significa um adicional de 1,17 milhão e 1,73 milhão de hectares em relação à safra passada. A pesquisa da Conab destaca o cultivo da soja. Se for confirmada a área estimada de plantio (7,3% a 8,9% maior) e o clima ajudar, a produção deverá chegar a 48,2 milhões de toneladas, volume 14,9% superior à última safra.
No Paraná, a previsão é de que a área plantada com soja aumente de 3,28 milhões para 3,48 milhões hectares, um acréscimo de 5% a 6%. Com isso, estima-se um aumento de até 6,5% na produção, que deverá se situar próximo dos 10 milhões de toneladas. ''Apostando no bom preço da soja, o produtor investiu em sementes, fertilizantes e máquinas para ter um produto de qualidade'', observou o gerente de desenvolvimento da Conab no Paraná, Pedro Roberto Santi Correa.
Já a área de milho no Estado deverá sofrer redução entre 8% e 5% em função da preferência pelo plantio da oleaginosa. Correa acredita, no entanto, que a safrinha de milho, cujo plantio se inicia entre fevereiro e março será importante para os produtores pelo fato do grão estar bem cotado (R$ 19,00 a saca). ''Já está faltando sementes de top de linha no mercado'', afirmou Correa.
A previsão da Conab para a safra de feijão é de que haja quebra de 2,3% ou um crescimento de, no máximo, 0,5% na produção. Segundo Correa, as intempéries climáticas geada, chuva e granizo comprometeram a produtividade, que deverá ter redução de 5,2%.
Considerando as culturas de feijão, milho, soja e trigo na próxima safra, o Paraná terá aumento de 0,8% a 5,2% na área de plantio. A Conab estima que a produção poderá apresentar quebra de 3,9% ou crescimento de até 12,7%, com melhora de 13,7% na produtividade. O Paraná deverá colher entre 20,8 milhões e 23,5 milhões de toneladas.


