Brasil pode ter apagão logístico
Diferente do apagão elétrico - quando a produção é obrigada a parar por falta de energia e o problema é escancarado - o apagão logístico ocorre lentamente e é mais difícil de ser visualizado. Os sinais, no entanto, já são conhecidos dos brasileiros: número alto de acidentes, tráfego lento e estradas saturadas. De certa forma isso já vem ocorrendo no País e pode ser resultado da falta de investimentos públicos na malha rodoviária.
Segundo a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC Logística), o Brasil tem 1,6 milhões de quilômetros de rodovias, mas apenas 196 mil quilômetros são pavimentados, o que gera um índice de 12% de estradas asfaltadas. Esse índice fica ainda menor se forem comparados com países em desenvolvimento, uma vez que na China o percentual é de 81% e, na Índia, de 47%. Em alguns países da Europa, o índice de pavimentação é de 100%.
''O Brasil depende de logística para escoar a produção, mas não há investimentos. Temos a vigésima maior malha rodoviária do mundo e a sexta maior malha hidroviária (mundial), por exemplo'', comparou. Estimativas indicam que seriam necessários investimentos de 50% do valor do Produto Interno Bruto (PIB) para montar uma boa malha rodoviária. No entanto, esses investimentos têm ficado entre 0,5% e 1% do PIB'', comentou o presidente da NTC.
Em média, o transporte rodoviário cresce dois pontos percentuais acima do PIB. Dados do governo federal mostram que em 2005, 58% de todo o transporte era feito pela malha rodoviária, enquanto as ferrovias detinham 25% do mercado e as hidrovias, 13%. Para 2025, a meta governamental é que 32% de todo o transporte seja feito pelas rodovias, enquanto as ferrovias ganhariam 33% do mercado e as hidrovias, 29%. ''Só que esses índices não são compatíveis com os investimentos que precisam ser feitos'', disse Vianna.
Além de investimentos em rodovias, a entidade defende também a renovação da frota de caminhões, uma vez que a frota nacional é antiga, com idade média de 20 anos. (F.M.)





