Brasil pode ter ''apagão digital''
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de maio de 2001
Agência Estado De São Paulo 
A universalização do acesso à Internet precisa ser colocada efetivamente em prática, sob o risco de, em menos de dois anos, o País viver o seu apagão digital. Esse alerta já foi encaminhado ao governo pelo grupo de trabalho que elaborou o projeto Brasil.com, liderado pelo ex-ministro Eliezer Batista da Silva e pelo consultor internacional Richard Herson. Na visão dos integrantes desse grupo, as ações adotadas até o momento são insuficientes para reverter a exclusão digital e caso não se estabeleça uma política prioritária para o setor, o atraso tecnológico do País poderá ser irreversível.
Além do alerta, o grupo de trabalho, que conta com o apoio de lideranças empresariais de todo o País, encaminhou ao governo uma radiografia da exclusão digital, com propostas para reverter o atual quadro. O projeto estabelece dois focos prioritários: o estabelecimento imediato de um Programa Estratégico de Massificação Digital e a eliminação, por um período de três anos, do Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ( ICMS) incidentes sobre componentes, PCs e periféricos destinados ao usuário final.
Segundo Richard Herson, a redução desses impostos teria baixo impacto na balança de pagamentos e poderia trazer as seguintes vantagens: aumento da arrecadação total em até 3,5 vezes o valor da renúncia fiscal pretendida, em função do aumento do mercado formal e a consequente redução do contrabando; inclusão de 29 milhões de novos usuários; agregação de novos valores às exportações; geração de 1,7 milhão de novos empregos e de R$ 160 bilhões em novos investimentos; e atração de fábricas de alta tecnologi a e de integradores verticais, entre outras.
Herson acredita que, independente de todas as propostas e ações adotadas para o setor, o fantasma da reserva de mercado da informática ainda está bastante arraigado no País. Infelizmente, o computador ainda é tido como um artigo de luxo. Além disso, temos que lembrar que os bens de informática não são bens de capital e de consumo, são bens capacitadores e que o Brasil, com todo seu potencial, detêm pouco mais de 1% do mercado mundial de ITC.
O consultor garante que se as propostas do projeto forem implantadas, muitas empresas do setor de Tecnologia de Computação e Informação estarão dispostas a instalar suas fábricas no Brasil.


