Brasil pode superar EUA na produção de soja em 2009
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terça-feira, 03 de julho de 2007
Fabíola Gomes<br>Agência Estado 
Brasília- O Brasil tem condições para se tornar o maior produtor mundial de soja a partir de 2009, afirmou ontem diretor de Logística e Gestão Empresarial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Sílvio Porto. Com a redução do plantio de soja nos Estados Unidos por conta da expansão do milho, movimento de substituição que deve persistir até 2010, o Brasil e a Argentina são os países com mais condições para alcançar a dianteira na produção da oleaginosa, explica Porto.
Já na próxima safra, com o esperado aumento da produção brasileira, o Brasil deve liderar o ranking dos maiores exportadores do grão. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam que as exportações brasileiras de soja na próxima safra, 2007/08, devem atingir 29,69 milhões de toneladas, enquanto os norte-americanos devem embarcar no mesmo período 29,39 milhões de toneladas. Os dados da Conab mostram que na atual safra 2006/07, o País deverá embarcar 26,3 milhões de toneladas.
No décimo levantamento da produção divulgado ontem, a Conab fez alguns ajustes para a soja. A produção na safra 2005/06 foi revisada para 55,027 milhões de toneladas, ante estimativa anterior de 53,413 milhões de toneladas.
De acordo com Porto, o ajuste ocorreu em função da diferença entre os estoques de passagem apurados em dezembro de 2006 e dos dados de consumo e exportação. A revisão foi feita através da comparação entre os números de esmagamento divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetal (Abiove), de informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos dados de consumo no período. Os ajustes foram feitos na área plantada com soja no Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul e nos níveis de produtividade do Paraná e Rio Grande do Sul.
Preocupação> - Porto comentou também números relativos a outras culturas. Ele disse que apesar da recuperação da safra nacional de trigo esperada para este ano, o avanço do milho e da cana sobre a área destinada ao cereal de inverno no Paraná é preocupante. A Conab estima que neste ano a produção nacional de trigo voltará aos 3,8 milhões de toneladas, aumento de 71,8% sobre a colheita do ano passado, comprometida pelo clima.
Apesar dos preços favoráveis do trigo, Porto destacou uma redução do plantio do cereal no Paraná, maior produtor nacional, causa da substituição de parte da área por milho, que também tem preços mais vantajosos, e também pela cana. ''Ou seja, já existe uma concorrência efetiva, neste caso negativa, em relação ao milho no Paraná, onde a cana está absorvendo parte desta área. É muito preocupante em relação a um produto da agroenergia avançando sobre um produto tão importante na alimentação brasileira'', explica.
Porto destaca o firme crescimento no Rio Grande do Sul, em torno de 14% na área plantada com o cereal, passando de 693,3 mil hectares para 790,4 mil hectares no atual ciclo. ''Embora o aumento da área tenha sido de apenas 3,4%, para 1,82 milhão de hectares, a recuperação expressiva nos níveis de produtividade faz a estimativa de produção ser elevada em quase 72%'', disse.


