Brasil pode receber fábrica de motores da Fiat Chrysler
Presidente da Fiat Chrysler Automobiles para a América Latina visitou a ExpoLondrina e falou dos investimentos até 2023
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de abril de 2019
Presidente da Fiat Chrysler Automobiles para a América Latina visitou a ExpoLondrina e falou dos investimentos até 2023
Aline Machado Parodi - Grupo Folha 

O Brasil disputa com os chineses a implantação de uma fábrica de motores da FCA (Fiat Chrysler Automobiles). A planta com linha de produção de motores turbo e turbos de alta eficiência de etanol seria instalada no Polo Automotivo Fiat, em Betim (MG).
Até o momento, as chances de o País receber o investimento são de 49%, segundo o presidente da FCA para a América Latina, Antonio Filosa, que esteve em Londrina visitando a ExpoLondrina e as instalações do Grupo Marajó, concessionária Fiat e Jeep.
“A China pode oferecer maior competitividade, mas temos histórico, mão de obra competentes e fornecedores preparados. Powertrain é um investimento que queremos fazer e, se tudo der certo, vamos instalar com motores turbos de alta eficiência de etanol, o que para mim é um drive estratégico muito importante”, afirmou Filosa.
A FCA irá investir R$ 14 bilhões para o desenvolvimento de novos produtos e tecnologia até 2023. Globalmente, os investimentos da montadora serão de 45 bilhões de euros. Até 2021, a Fiat entrará no segmento dos SUV com o lançamento de dois novos modelos. “Com DNA italiano, mas pensado e desenvolvido por brasileiros. Será uma mistura interessante da nossa história e da realidade regional”, adiantou o presidente.
A marca também fará investimentos nas linhas de picapes e carros de passeio. Os modelos Mobi, Argos e Cronos devem ganhar atualizações tecnológicas. Na marca Jeep, empresa está programando o lançamento de um modelo premium, intermediário entre os nacionais Renegade e Compass e os importados como o Jeep Cherokee, que será produzido no Polo Automotivo Jeep, em Goiana.
Parte dos recursos previstos até 2023 será aplicado em tecnologia avançada de infortrainig. “O cliente contará com telas maiores, maior definição de imagem e conectividade”, disse Filosa.
Nas vendas de janeiro a março deste ano, a Fiat Chrysler Automóveis acumula 18,5% de participação no mercado. Em março, as vendas cresceram 7% em relação ao mesmo período do ano passado e 25% no trimestre.
As marcas da FCA, em separadas, também registram desempenho positivo. A Fiat encerrou o primeiro trimestre com 78.812 veículos vendidos, com uma participação de mercado de 13,6% no período. O Argo foi o destaque da marca, ao ultrapassar as 100 mil unidades vendidas. Somado com o avanço do Mobi no mercado, a marca elevou a sua participação no segmento hatch para 14,2%, com avanço de 1,4 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.
Em março, a Jeep registrou seu melhor desempenho na sua história no Brasil. O segmento de SUV respondeu por 24,9% das vendas totais. O grande destaque foi o Renegade, com 6.184 unidades vendidas e crescimento de 45,4% em relação a março de 2018.
MERCADO EXTERNO
A crise da Argentina vem impactando os negócios da indústria. O aumento de impostos de exportação afetaram a rentabilidade do Cronos e a queda no consumo de veículos dos argentinos, que despencou em 50% nos primeiros três meses do ano, refletiram no desempenho das plantas de Betim e Goiana.
“A produção da FCA em Betim também caiu em função deste cenário argentino. Em Goiana tem crescido a produção para o Brasil, mas não tem aproveitado todo esse crescimento porque uma parte da produção vai para a Argentina. É uma situação é difícil e complexa”, comentou o presidente para a América Latina.
Ele afirmou que não acredita que o país vizinho consiga se recuperar a médio prazo. “Como produção, estamos sofrendo”, ressaltou.
No cenário doméstico, Antonio Filosa, faz uma avaliação positiva e otimista do governo do presidente Jair Bolsonaro. “As propostas parecem coerentes e desenhadas para devolver ao Brasil a competitividade que perdeu na década anterior, inclusive dando atenção especial para a indústria”, disse.
Ele esteve com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e a equipe da Secretaria de Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviço e Inovação, do Ministério da Economia. “Encontrei pessoas com visão clara, preparo técnico e vontade de entender o nosso ponto de vista. Acredito que a economia brasileira terá um ciclo positivo em cinco anos”, avaliou Filosa.
GRUPO MARAJÓ
O presidente da FCA visitou a ExpoLondrina na terça-feira (9) e ressaltou a boa movimentação da feira. Na quarta-feira (10), ele esteve na Concessionária Fiat Marajó para conhecer a estrutura da loja e destacou a parceria com o Grupo Marajó. “A Marajó é uma empresa forte e enraizada. É fácil ter um diálogo estratégico”, disse Filosa.
O grupo reúne seis lojas em Londrina e Maringá. A empresa cresceu 16% em volume de vendas em 2018 em relação ao ano anterior. Recentemente, investiu R$ 5 milhões para ampliação de uma de suas lojas em Londrina.
Com estande na ExpoLondrina, a Marajó pretende vender entre 200 a 300 unidades nos 10 dias da feira. O presidente do grupo, Flávio Meneghetti, preferiu não falar em percentuais de incremento de vendas. “Este ano tivemos a quebra da safra e os dois primeiros dias de feira com chuva. Esperamos vender entre 200 e 300 unidades”, disse. Meneghetti ressaltou, ainda, que a feira é um momento para estreitar laços com os produtores rurais e clientes.


