São Paulo - O 2B1, conhecido anteriormente por laptop de US$ 100, pode ser produzido no País. ''Trabalhamos duro para que os laptops sejam completamente fabricados aqui no Brasil, não somente para o mercado local, mas para a região e além'', afirmou David Cavallo, diretor para as Américas Central e do Sul da associação sem fins lucrativos ''Um Laptop por Criança'' (OLPC, na sigla em inglês).
''O governo, é claro, também apóia isso totalmente. Queremos que isso aconteça o mais rápido possível. Ainda não existe infra-estrutura no País para fabricar tudo, mas está sendo planejada e desenvolvida.''
Anteriormente, havia sido dito que o primeiro lote de laptops seria fabricado pela Quanta, de Taiwan. Este era um dos principais pontos de resistência, no governo brasileiro, ao projeto. Se tudo der certo, o Brasil deve comprar, inicialmente, um milhão de máquinas, que seriam distribuídas a estudantes da escola pública, que poderiam levá-las para casa.
A máquina não pode mais ser apelidada de laptop de US$ 100, entre outros motivos, porque o preço mudou: as primeiras unidades devem sair por US$ 135 cada. Proposta pelo professor Nicholas Negroponte, co-fundador do Media Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT), no começo de 2005, a idéia de um computador portátil de baixo custo, voltado à educação nos países em desenvolvimento, fez a indústria acordar para um mercado até então inexplorado.
''O projeto é a síntese da geração que fundou o Media Lab'', disse Rodrigo Mesquita, diretor da Radiumsystems.com, que acompanha de perto o trabalho do Media Lab desde 1992. ''Eles movimentaram todo o mercado.'' A Intel criou um projeto concorrente, chamado Classmate, que deve chegar ao mercado no primeiro trimestre de 2007. O 2B1 é previsto para o segundo trimestre. Os primeiros protótipos devem ser entregues aos governos em novembro.
No mesmo mês, haverá testes com laptops em sala de aula em duas escolas brasileiras: uma em Brasília, na Vila Planalto, e outra na periferia de São Paulo. Como ainda não existem máquinas 2B1 disponíveis, os testes serão feitos com computadores portáteis convencionais, que são mais pesados e menos resistentes, além de mais caros.
Ainda não está definido quanto será investido, mas devem ser compradas cerca de 100 máquinas e instaladas redes de banda larga sem fio nas escolas. Os testes serão financiados por empresas que apóiam o OLPC, como AMD, Red Hat, Nortel e Google.
''A gente quer verificar como a escola incorpora os laptops na sua rotina'', explicou a professora Roseli de Deus Lopes, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, que participa dos testes. ''Precisamos saber se os professores e os alunos conseguem extrapolar as paredes da sala de aula e, se precisarem de alguma ajuda, como podemos dar, se presencialmente ou pela internet.'' O treinamento de professores e a conectividade são partes importantes do projeto.
Atenta às negociações com o governo brasileiro, a Intel prepara o terreno para lançar por aqui o seu computador de baixo custo, o Classmate. O laptop da Intel será igualmente compacto, para uso em salas de aula. ''Será uma plataforma educativa, composta de hardware, softwares, aplicativos educativos e conexão com a internet'', disse o presidente do conselho da Intel, Craig Barrett.

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