Brasil pode ocupar espaços de cafés cereja-despolpados
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segunda-feira, 02 de junho de 1997
Luciane Tonon, De Cornélio Procópio 
O Brasil terá um espaço para venda de 8 milhões de sacas de café dos chamados semidescascado ou cereja-descascado para o mercado mundial. A afirmação foi feita, na semama passada, pelo presidente da Associação Paranaense dos Cafeicultores (Apac), Newton Carneiro, durante o 2º Encontro de café adensado de Ribeirão do Pinhal. Segundo ele, tal abertura acontece porque o mercado mundial está desabastecido de cerca de 9 milhões de sacas do café colombiano. A Colômbia, nos últimos 30 anos, fez uma enorme divulgação do seu produto, que virou um bumerangue em cima deles, em virtude dos problemas tecnológicos e sociais, como guerrilhas que o país enfrentou, o café não tem mais a qualidade ideal para abastecer o mercado mundial, explicou Carneiro.
Ele considera que o mercado mundial está dividido em três estágios: o primeiro é o de café lavados da Colômbia e dos países da América Central. Estes cafés se você considerar o contrato Nova York tipo C, têm um prêmio em torno de U$ 0,20 por libra peso a mais do que é o preço diário da bolsa de Nova York nos contratos C.
O café brasileiro, Carneiro considera o segundo nível. É um café seco em terreiro. O Brasil ocupa a grande faixa e a Etiópia e o Kênia uma pequena quantidade, informou. Segundo Carneiro, estes cafés brasileiros já chegaram a ter um diferencial sobre Nova York, sobre o mesmo contrato C em que o lavado tem U$ 0,20 . Hoje o café chega a ter U$ 0,60 centavos abaixo. Isso quer dizer que entre uma saca de café da melhor qualidade do Brasil que seria tipo Santos 4 (cafés de grãos médios para grandes) e o café colombiano lavado chamado Excelciun, considerado de grande qualidade (máximo de 25 defeitos em amostra de 500 gramas) é de simplesmente US$ 100,00 por saco.
Já o terceiro estágio é o café Robus africano ou Conilon brasileiro ou ainda da Indonésia e Vietnã. Estes cafés têm o preço hoje de 40% do preço dos colombianos, o que é uma diferença brutal de patamar, afirmou Carneiro. Segundo ele, a Colômbia, há quatro anos, chegou a produzir praticamente 17 milhões e meio de sacas de café de 70 quilos e do brasileiro é 60 quilos. Hoje, a Colômbia deverá produzir na próxima safra menos de 9 milhões de sacas, com isso o mercado mundial está desabastecido em 8 milhões de sacas de café lavado da Colômbia fora o resto da América Central, justamente pela propaganda que a Colômbia fez nos últimos 30 anos, informou o presidente da APAC.
Para ele, cabe ao governo Brasileiro fazer propaganda do café semilavado e aumetar produção ao ponto de dar confiança ao torrador americano ou europeu, que vamos abastecer com a mesma qualidade maravilhosa este ano e nos próximos 10 anos. Carneiro explica que o torrador quer ter o sossego de ter um café de qualidade superior à disposição dele. Porque hoje, o sistema finaceiro do mundo todo não é de carregar estoques. O torrador quer ficar com estoque por 15 ou 20 dias no máximo, com isso você é obrigado a ter café no porto na Europa ou nos EUA. Cafés do tipo exportação, que fiquem disponíveis para o comprador no momento em que ele quer o café.
Com isso, vamos conseguir um diferencial de preço de pelo menos U$ 0,20 centavos por libra/peso pelo fato do café de alta qualidade estar à disposição no porto. E, para nós, é muito mais importante elevarmos o nível de preço do Brasil ao igualarmos com o colombiano do que ter novas altas, que hoje não quer dizer nada pelo diferencioal de preço, esclareceu Carneiro.
Ele explica ainda que a campanha deve ser efetuada no Paraná, onde o clima deixa a desejar em termos de qualidade ideal, porque chove muito, é a classificação na colheita. O clima aqui é ideal para descascar. E você descascando o café não fermenta e não fermentando ele dá bebida boa. O fato de colher cereja já está classificando o café. Ele disse que é preciso equipamento para fazer com que o pequeno produtor de café adensado possa colher o cereja, descascar em casa o cereja e colocar este café de melhor qualidade, melhor preço e mais liquidez, que é o que o mercado mundial quer.


