O Brasil terá um espaço para venda de 8 milhões de sacas de café dos chamados semidescascado ou cereja-descascado para o mercado mundial. A afirmação foi feita, na semama passada, pelo presidente da Associação Paranaense dos Cafeicultores (Apac), Newton Carneiro, durante o 2º Encontro de café adensado de Ribeirão do Pinhal. Segundo ele, tal abertura acontece porque o mercado mundial está desabastecido de cerca de 9 milhões de sacas do café colombiano. ‘‘A Colômbia, nos últimos 30 anos, fez uma enorme divulgação do seu produto, que virou um bumerangue em cima deles, em virtude dos problemas tecnológicos e sociais, como guerrilhas que o país enfrentou, o café não tem mais a qualidade ideal para abastecer o mercado mundial’’, explicou Carneiro.
Ele considera que o mercado mundial está dividido em três estágios: o primeiro é o de café lavados da Colômbia e dos países da América Central. ‘‘Estes cafés se você considerar o contrato Nova York tipo C, têm um prêmio em torno de U$ 0,20 por libra peso a mais do que é o preço diário da bolsa de Nova York nos contratos C’’.
O café brasileiro, Carneiro considera o segundo nível. ‘‘É um café seco em terreiro. O Brasil ocupa a grande faixa e a Etiópia e o Kênia uma pequena quantidade’’, informou. Segundo Carneiro, estes cafés brasileiros já chegaram a ter um diferencial sobre Nova York, sobre o mesmo contrato C em que o lavado tem U$ 0,20 . ‘‘Hoje o café chega a ter U$ 0,60 centavos abaixo. Isso quer dizer que entre uma saca de café da melhor qualidade do Brasil que seria tipo Santos 4 (cafés de grãos médios para grandes) e o café colombiano lavado chamado Excelciun, considerado de grande qualidade (máximo de 25 defeitos em amostra de 500 gramas) é de simplesmente US$ 100,00 por saco’’.
Já o terceiro estágio é o café Robus africano ou Conilon brasileiro ou ainda da Indonésia e Vietnã. ‘‘Estes cafés têm o preço hoje de 40% do preço dos colombianos, o que é uma diferença brutal de patamar’’, afirmou Carneiro. Segundo ele, a Colômbia, há quatro anos, chegou a produzir praticamente 17 milhões e meio de sacas de café de 70 quilos e do brasileiro é 60 quilos. ‘‘Hoje, a Colômbia deverá produzir na próxima safra menos de 9 milhões de sacas, com isso o mercado mundial está desabastecido em 8 milhões de sacas de café lavado da Colômbia fora o resto da América Central, justamente pela propaganda que a Colômbia fez nos últimos 30 anos’’, informou o presidente da APAC.
Para ele, cabe ao governo Brasileiro fazer propaganda do café semilavado e aumetar produção ‘‘ao ponto de dar confiança ao torrador americano ou europeu, que vamos abastecer com a mesma qualidade maravilhosa este ano e nos próximos 10 anos’’. Carneiro explica que o torrador quer ter o sossego de ter um café de qualidade superior à disposição dele. ‘‘Porque hoje, o sistema finaceiro do mundo todo não é de carregar estoques. O torrador quer ficar com estoque por 15 ou 20 dias no máximo, com isso você é obrigado a ter café no porto na Europa ou nos EUA. Cafés do tipo exportação, que fiquem disponíveis para o comprador no momento em que ele quer o caf钒.
‘‘Com isso, vamos conseguir um diferencial de preço de pelo menos U$ 0,20 centavos por libra/peso pelo fato do café de alta qualidade estar à disposição no porto. E, para nós, é muito mais importante elevarmos o nível de preço do Brasil ao igualarmos com o colombiano do que ter novas altas, que hoje não quer dizer nada pelo diferencioal de preço’’, esclareceu Carneiro.
Ele explica ainda que a campanha deve ser efetuada no Paraná, onde o clima deixa a desejar em termos de qualidade ideal, porque chove muito, é a classificação na colheita. ‘‘O clima aqui é ideal para descascar. E você descascando o café não fermenta e não fermentando ele dá bebida boa’’. O fato de colher cereja já está classificando o café. Ele disse que é preciso equipamento para fazer com que o pequeno produtor de café adensado possa colher o cereja, descascar em casa o cereja e colocar este café de melhor qualidade, melhor preço e mais liquidez, que é o que o mercado mundial quer.

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