Bruxelas - As tarifas retaliatórias que estão sendo propostas pela União Européia (UE) - na ordem de 378 milhões de euros - sobre as exportações norte-americanas, incluindo carnes, legumes congelados e papel podem beneficiar as exportações brasileiras em direção ao mercado europeu, afirmou ontem o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, em Bruxelas.
Pratini de Moraes esteve ontem à tarde com o comissário de Saúde e Defesa do Consumidor da UE, David Byrne, e com o diretor-geral da área de Agricultura, Silva Rodrigues. Ele veio tratar sobre a necessidade de harmonização das normas sanitárias entre Brasil e UE e, segundo o ministro, eles conversaram também sobre a nova lei agrícola norte-americana que concederá subsídios de quase US$ 190 bilhões aos produtos do país nos próximos 10 anos.
‘‘As ações restritivas da UE às importações americanas por conta da briga do aço poderão desviar ao mercado europeu alguns produtos brasileiros, como os cítricos’’, afirmou o ministro depois da conversa na Comissão Européia. ‘‘A UE vai tomar as medidas na próxima semana e então a lista completa será pública’’, acrescentou Pratini.
A lista da UE foi apresentada à Organização Mundial do Comércio (OMC) antes do prazo final de 17 de maio, incluindo vários produtos. A UE apresentou ainda uma segunda lista mais longa de produtos norte-americanos, no valor de 606 milhões de euros, cujas tarifas serão aplicadas caso a OMC decida que as medidas americanas violam as normas internacionais de comércio. Essa decisão da OMC não deverá ocorrer em menos de dois anos.
‘‘Primeiro foi o aço, agora os subsídios agrícolas’’, afirmou o ministro. ‘‘Este tipo de política é um retrocesso para o aprimoramento dos mercados agrícolas internacionais’’.

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