Brasil pode lançar US$ 5 bi em títulos
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sexta-feira, 16 de abril de 1999
Agência Folha 
O governo brasileiro vai lançar, talvez já no primeiro semestre, até US$ 5 bilhões em bônus externos, confirmou ontem o presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista coletiva com a qual encerrou sua visita à Alemanha. Em seguinda, ele embarcou para Portugal, onde foi recebido pelo primeiro-ministro Antônio Guterrez. Se as condições avançarem mais na direção positiva, o lançamento talvez seja já no primeiro semestre, informou o presidente, depois de afirmar que a intenção original era fazê-lo no segundo semestre.
O lançamento dos bônus marcaria a volta do Brasil aos mercados internacionais e, se bem-sucedido, representaria um sinal de confiança dos investidores no País. Para quem começou pensando em lançar US$ 1 bilhão ou US$ 1,5 bilhão, me parece que também é um dado positivo, disse FHC.
O presidente usou o iminente lançamento de papéis no mercado internacional para reforçar seu argumento de que a exposição feita ontem a empresários alemães não fora otimista, mas realista. Fui realista, dei dados. O otimismo deriva dos dados, afirmou FHC ante pergunta que cobrava o que parece excesso de otimismo na visão da economia brasileira que o presidente vendeu na quinta-feira aos empresários alemães.
Na palestra, FHC previu inflação de apenas um dígito para este ano, previsão que ganhou ontem um reforço externo. O vice-presidente do Dresdner Bank, Heinz-Jorg Platzek, recebido pelo presidente, lhe disse que a previsão do banco é de uma inflação de 9%. Como havia também jornalistas alemães na entrevista, FHC fez questão de repisar o ponto que já enfatizara na exposição aos empresários: o fato de que já passou, segundo ele, a fase mais difícil da crise não fará com que o governo relaxe no ajuste fiscal.
As análises das consultorias internacionais apontam exatamente esse risco, ou seja, o de que, eufórico com a superação da fase aguda da crise em tempo inferior ao previsto, o governo volte à inércia no controle de suas contas. O presidente chegou a dizer que também o reajuste do salário mínimo, tradicionalmente feito no dia 1º de maio, será examinado da perspectiva do ajuste fiscal.


