Brasil pode ir à OMC contra Estados Unidos
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quarta-feira, 05 de setembro de 2001
Agência Folha 
O governo brasileiro ameaça entrar com uma queixa contra os EUA na OMC (Organização Mundial do Comércio), por causa da proposta norte-americana de reduzir a produção mundial de aço, informou ontem o secretário-executivo da Camex (Câmara de Comércio Exterior), Roberto Giannetti da Fonseca. A medida prejudicaria diretamente o setor siderúrgico brasileiro, diz ele.
O Brasil também pode, afirma Giannetti, dificultar a criação da Alca (Área de Livre Comércio da Américas), caso os Estados Unidos consigam, como querem, restringir a oferta de aço no mundo para beneficiar as siderúrgicas norte-americanas, reduzindo a concorrência.
''Como vamos fazer uma associação com quem vai nos punir?'', perguntou Giannetti, referindo ao governo norte-americano, que defende a antecipação do acordo de livre comércio entre os países do continente americano. Ele acrescentou que, se a proposta norte-americana vingar, o Brasil, cuja siderurgia é competitiva, terá de ''bancar a falência do setor nos Estados Unidos, o que é inaceitável''.
A proposta dos EUA de reduzir a produção será discutida a partir do próximo dia 17, em Paris (França), na reunião da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o clube que reúne os países desenvolvidos.
As siderúrgicas americanas têm preço maior para o aço do que as concorrentes brasileiras. Por isso, os Estados Unidos querem conter a oferta, com o objetivo de impedir a maior entrada de aço em seu mercado e, com isso, reduzir a concorrência.
De acordo com Giannetti, os Estados Unidos pretendem negociar uma cota de redução na produção de aço, que será distribuída igualmente para todos os países. ''É justo fechar fábricas dos países que têm condições de competir?. Não podemos aceitar essa agressão ao livre comércio, que os próprios norte-americanos pregam'', disse Giannetti.


