Arquivo FolhaEm 1997, as exportações de frangos
somaram US$ 900 milhõesOs exportadores brasileiros de frango estão aguardando o desfecho sobre a epidemia da ‘‘gripe da galinha’’ que atingiu a produção avícola de Hong Kong para avaliar se o Brasil será beneficiado ou não com o aumento das exportações. Para o presidente da Associação Brasileira de Exportadores de Frango (Abef), Luiz Fernando Furlan, o Brasil é o segundo maior exportador de frango, conseguindo um faturamento de US$ 900 milhões em 97 e o episódio só vai provocar impacto sobre o aumento das exportações brasileiras se houver focos da doença na China, que é um importante concorrente do Brasil.
Isso porque Hong Kong não é um grande importador de frango do Brasil, sendo que naquela região as exportações mais expressivas são dirigidas ao Japão, afirmou o empresário. Ele explicou que se for verificada a ocorrência de focos da ‘‘gripe da galinha’’ em território chinês, aí sim a situação vai se definir em função da reação dos países consumidores. Sempre falando sobre hipóteses, Furlan destacou que os países importadores de frango principalmente na Ásia podem registrar retração no consumo, o que não teria benefícios imediatos ao produto brasileiro.
Por outro lado, se houver uma determinação dos países importadores de frango da União Européia e mesmo do Japão em adotar medidas sanitárias preventivas, proibindo a entrada de aves da China, aí sim o Brasil pode ser beneficiado com o aumento das exportações. Segundo Furlan, as empresas exportadoras de frango do país estão aguardando o estudo da comunidade científica internacional e do órgão internacional de Epizootias, OIE, localizado na França que está fazendo um rastreamento do alcance da ‘‘gripe da galinha’’, que segundo os órgãos de imprensa internacionais está restrito a Hong Kong.
Furlan acredita que esse levantamento deve ser concluído em duas semanas e enquanto isso ele considera positiva a medida do governo brasileiro de suspender a entrada de avestruzes e aves ornamentais e domésticas no país. Ele salientou que a ‘‘gripe da galinha’’ que atingiu a produção de Hong Kong é exótica e por isso o governo brasileiro está correto em tomar todas as precauções para que a doença fique bem distante do Brasil, cujas exportações são superadas somente pela produção dos Estados Unidos.
Independente dos efeitos da ‘‘gripe da galinha’’, localizada em Hong Kong, a Abef espera no mínimo manter as exportações de 97 que podem ter atingido quase 600 mil toneladas de frango, segundo levantamento do Deral, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Apesar disso Luiz Fernando Furlan acredita que os preços serão menores em 1998 em função da queda das exportações para Japão, iniciada no segundo semestre de 97. Segundo o empresário, as exportações para Japão em partes desossadas têm maior valor que as exportações de frango inteiro para os países do Oriente Médio. Daí a previsão de queda em faturamento. Segundo Furlan, o Japão reduziu as importações de frango em função da crise asiática que resultou na desvalorização da moeda japonesa e de outros países concorrentes.
No mercado interno, o mercado de aves já experimentou uma queda nos preços em 97. Segundo levantamento do Deral, na média do ano o produtor recebeu R$ 0,61 por quilo, o que representa uma redução de 10,3% sobre a média de preço pago em 96, que foi de R$ 0,68 o quilo. No atacado, o frango resfriado teve queda de 7,9% nos preços e no varejo, a redução também atingiu 10,3%. A média de preços no varejo em 97 foi R$ 1,13, contra R$ 1,26 em 96.

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