Bruxelas - O Brasil poderá conquistar novas fatias do mercado europeu de suco de laranja caso as medidas compensatórias do aço sejam aplicadas pela União Européia (UE) contra os Estados Unidos. A opinião é do secretário-geral da União Nacional Interprofessional de Produtores de Suco de Fruta da França, Jacques Antoine. O mercado europeu de suco de frutas é de US$ 18 bilhões, o maior do mundo, de acordo com dados da Associação das Indústrias de sucos de frutas da UE (AIJN). A UE foi autorizada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) a aplicar sanções de US$ 2,2 bilhões por causa das sobretaxas criadas pelos EUA às importações de aço. Os europeus aguardam apenas a conclusão burocrática do processo, que deve sair em meados de dezembro, segundo Arancha Gonzalez, porta-voz do comissário europeu de comércio, Pascal Lamy.
Entre os produtos que deverão receber sobretaxas de até 20%, está o suco de laranja da Flórida. A Associação de Produtores Cítricos da Flórida (Florida Citrus Association) já anunciou, em um comunicado, que os produtores estão se preparando para uma sobretaxa de 15% ao suco de laranja concentrado do país. Antoine avalia que uma sobretaxa ao suco de laranja tornará o produto americano menos competitivo no mercado europeu. Mas a participação do suco norte-americano na UE já foi reduzida em 78,8% ao compararmos as importações das duas últimas safras. Será em cima desta fragilidade que o País poderá trabalhar.
O secretário-geral da associação francesa reforça ainda que o Brasil tem pela frente o desafio do ''critério de substituição''. Para ele, ''a questão será saber se o consumidor europeu está pronto a deixar de consumir um produto 100% suco da Flórida e passar a consumir um produto 100% suco de São Pau lo''.
O Brasil é o maior exportador do mundo de suco de laranja concentrado, mas exportações à UE, seu principal cliente, diminuíram nas três últimas safras: de 845.781 mil toneladas de concentrado na safra 2000/2001 para 662.996 mil toneladas na safra 2002/2003, segundo dados da Associação Brasileira dos Exportadores Cítricos (Abecitrus). Em compensação, as exportações brasileiras de suco concentrado aumentaram para outros destinos, como a Ásia, os países membros do Nafta (Estados Unidos, Canadá e México) e em outros mercados (fora o Mercosul, onde as exportações também tiveram uma queda).
Antoine adverte, entretanto, que o setor brasileiro deve ficar alerta porque perdendo o mercado europeu, os americanos poderão dirigir seus produtos para outros mercados e eventualmente, recuperar nichos ocupados pelo Brasil atualmente.

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