Brasil pode ficar com 1/3 dos créditos de carbono
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quarta-feira, 28 de junho de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba Chegaram os tempos em que proteger o meio ambiente rende, literalmente, dividendos. Uma fatia gorda do mercado, que engloba setores da indústria, agricultura, comércio e transporte que consomem combustíveis fósseis, pode se beneficiar dos recursos do Crédito de Carbono estimados em US$ 5 trilhões até 2012. O crédito foi criado pelo Protocolo de Kyoto, assinado por 46 países membros da Organização das Nações Unidas, em 2001, e que visa melhorar o clima do planeta na próxima década.
O crédito viabiliza que países desenvolvidos, que já atingiram ou extrapolaram sua cota de emissão de gases causadores do efeito estufa (GHG), possam adquirir direito de continuar poluindo, ou seja, sem comprometer a produção industrial, ao financiar projetos que reduzam a emissão desses poluentes fora de seu território. Países em desenvolvimento, principalmente os da América Latina, é que vão executar os projetos ecológicos. Especialistas acreditam que o Brasil tem potencial para abocanhar um terço desse novo mercado, que gera dinheiro e incentivo fiscal sem retorno e postos de trabalho.
Desde que o Protocolo entrou em vigor, em fevereiro de 2005, os países desenvolvidos correm contra o tempo para cumprir o tratado que estabelece a redução de emissão de dióxido de carbono (CO2) e outros gases em 12%, até 2012, para equiparar a quantidade emitida em 1990 e fugir de multas bilionárias. ''A poluição atmosférica dessa época é considerada razoável para não interferir na saúde humana e na produção econômica'', situa o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e membro da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Japão, Roberto Tuyoshi Hosokawa.
Essa alternativa de compensação é chamada de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), criada, inclusive, pelo professor Hokosawa e apresentada mundialmente, no ano passado, na Universidade de Nagoya, no Japão. Cada tonelada de (GHG) deixada de ser emitida na atmosfera é transformada em créditos, que podem ser comprados pelos países ''necessitados'' e que devem ser exclusivamente aplicados em projetos para reduzir a emissão de CO2 de forma sustentável.
''A moeda de comercialização do mercado de carbono é a tonelada equivalente de CO2. Existem bolsas de valores do comércio internacional que fazem a cotação. A redução de cada tonelada custa em torno de seis a 12 euros, no momento'', informa o diretor da Divisão de Tecnologias Sociais, do Instituto de Tecnologias do Paraná (Tecpar), Alexandre Akira.
Países como a Inglaterra, Austrália, Japão e Rússia vão pagar a conta e o Brasil pode passar a integrar esse grupo depois de 2012. A ONU é quem vai avalizar os projetos e fazer a certificação da redução de emissão de GHG, de acordo com as normas do MDL. ''Já está funcionando no Brasil, mas ainda no mercado paralelo, porque está na fase de estruturação e de divulgação. O Crédito de Carbono não vai resolver o problema do efeito estufa, vai apenas empurrar com a barriga, porque o que se polui na Europa abrange todo o planeta'', esclarece o professor Hosokawa, contando que bancos como o Bradesco e Itaú já estão de olho nesse mercado e sondaram a possibilidade de comprar créditos de carbono, que, provavelmente, serão cada vez mais valorizados.


