Rio de Janeiro- A escalada do preço do petróleo para acima dos US$ 70 por barril pode ser benéfica à economia brasileira, avaliam especialistas do setor. Este ano, o Brasil entra na seleta lista dos países exportadores de petróleo e pode lucrar ainda mais com as cotações em alta. Além disso, a tendência é o aumento da procura por combustíveis alternativos, com reflexos sobre a indústria sucroalcooleira nacional.

O cenário só não será positivo caso a crise de preços provoque a desaceleração da atividade econômica mundial. ''Se a economia global parar de crescer, vamos sentir fortemente os efeitos, pois estamos crescendo puxados pelo mundo'', diz o analista de petróleo e gás da GRC Visão, Jason Vieira. ''Mas ao que tudo indica, o mundo está se ajustando a um petróleo cada vez mais caro'', avalia.

''Estamos num excelente momento para alcançar nossa auto-suficiência'', afirma o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli. Com um equilíbrio maior na relação entre oferta e demanda, a tendência é que as cotações continuem altas e voláteis, diz o executivo. O Brasil, assim, ganha maior autonomia para decidir sobre preços internos dos combustíveis e adquire imunidade a eventuais crises de abastecimento.

Ninguém acredita em reajustes nos preços da gasolina e do diesel agora. Há as eleições presidenciais de outubro, que reduzem as possibilidades de o governo tomar medidas impopulares.

A alta cotação do petróleo pode motivar ainda maiores investimentos na exploração de petróleo e gás no Brasil. A Petrobrás prevê exportar, este ano, entre 100 e 150 mil barris por dia a mais do que importa.

Por outro lado, a alta do petróleo pode acelerar a inserção dos combustíveis alternativos no mercado mundial. O Brasil é líder na produção de álcool e ensaia desenvolver uma indústria de biodiesel. Para o consultor Jean Paul Prates, da Expetro Consultoria, os biocombustíveis podem ocupar espaço importante na próxima década, contribuindo para uma redução nos preços do petróleo.

A própria Petrobrás negocia contratos para exportação de álcool brasileiro com diversos parceiros, como a Venezuela e o Japão.

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