Brasil pode enfrentar falta de pinus
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quinta-feira, 21 de novembro de 2002
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba O setor madeireiro pode sofrer um ''apagão'' em breve. Estimativas mostram que dentro de quatro ou cinco anos deverá faltar pinus no mercado brasileiro. Hoje já foram dizimadas áreas reflorestadas em várias regiões, como na cidades de Palmas, no sudoeste do Paraná. Os problemas de suprimento de madeira foram debatidos ontem na abertura do 1º Congresso Internacional de Produtos de Madeira Sólida de Reflorestamento, realizado em Curitiba.
De acordo com o diretor-superintendente da empresa Emílio B. Gomes & Filhos, Luiz Carlos Barros, ainda há muitos estoques atualmente, mas os mesmos estão concentrados nas mãos de poucas empresas. Segundo ele, que deu palestra sobre os problemas de suprimento no setor, 70% das florestas reflorestadas de pinus são propriedade de 20 empresas. Essas empresas produzem 13,7 milhões de metros cúbicos ao ano, mas consomem 18 milhões de metros cúbicos. ''A gente diz no setor que estamos comendo estoques do futuro'', afirmou.
O consumo total brasileiro é de 25 milhões de metros cúbicos de tora. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), organizadora do evento, 62% da madeira utilizada no Brasil provêm de áreas reflorestadas. Para Barros, não há caminhos de curto prazo para reverter a escassez de matéria-prima. ''Precisamos de financiamentos, mas não com as taxas de juros atuais, e com prazo de pagamento de 20 anos, que é o tempo do ciclo madeireiro'', relatou.
Mesmo com incentivos para o reflorestamento, Barros disse que muitas empresas deverão falir nos próximos anos, porque a escassez de matéria-prima vai tornar a madeira sólida de pinus muito cara. Segundo ele, a remuneração atual é muito boa, já que 70% da produção nacional são exportadas, o que significa pagamento em dólar. O compensado de pinus, por exemplo, passou de US$ 145 o metro cúbico no início do ano para US$ 185 atualmente. ''Mas isso vai atrair mais empresas e agravar o problema mais para frente'', ponderou.
As exportações brasileiras de serrados, laminados, compensados e painéis de pinus movimentaram cerca de US$ 1,5 bilhão no ano passado, segundo o presidente da Abimci, Odelir Batistella. Ele disse que o setor de madeira processada mecanicamente representa 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e abriga 1,5 milhão de trabalhadores.
O congresso, que dura até amanhã, tem o objetivo de promover o uso da madeira no Brasil, explicou Batistella. Para ele, o problema de escassez de matéria-prima pode ser resolvido pelo próprio mercado. ''Em um mercado livre, com certeza o preço da tora vai subir, o que vai incentivar pessoas que querem investir apenas em florestas para vender às indústrias'', analisou.


