Rio - O Brasil pode continuar crescendo em ritmo lento, mesmo que as taxas de juros reais continuem caindo e o País consiga obter o ''investment grade'' das principais agências de classificação de risco dentro de alguns anos. O alerta tem sido feito por diversos economistas, e ganhou destaque em um recente artigo de Ilan Goldfajn, ex-diretor do Banco Central (BC).
No artigo, o economista cunhou a expressão ''mexicanização econômica'', baseada na experiência do próprio México. O país é ''investment grade'' nas três principais agências de classificação de risco do mundo. A taxa de juros real do México é de 3,1%, um terço da brasileira, e a relação entre a dívida pública líquida e o PIB está em 31%, comparada com 50%, no Brasil. Na área externa, a situação do México é tão sólida quanta a brasileira atualmente.
Com este conjunto de indicadores, que seriam o sonho de sucessivas equipes econômicas do Brasil, o México cresceu nos últimos dez anos a um ritmo anual de 3,6%, melhor que os 2,2% do Brasil, mas muito aquém de países emergentes de sucesso como a China (9%) ou a Índia (6,6%). O mais preocupante, porém, para o México, é que o ritmo de crescimento está mergulhando. Na segunda metade dos anos 90, o país cresceu 5,5%, mas de 2001 a 2005, a média anual foi de apenas 1,8%.
''O México é o Brasil amanhã'', diz Goldfajn, para quem o País não entrará num ritmo satisfatório de crescimento para economias emergentes se não entrar numa nova fase de reformas. Ele e outros economistas apontam como prioridades o controle do aumento das despesas públicas, reformas na Previdência, na estrutura tributária e nas regras trabalhistas, e uma melhora no ambiente de negócios, com fortalecimento das agências reguladoras e redução da burocracia.
O México, como explica o economista Lívio Ribeiro, do Opportunity Asset Management, melhorou muito em termos macroeconômicos, mas sofre do mesmo tipo de paralisia política brasileira para resolver questões ligadas às instituições, ao ambiente de negócios e ao marco regulatório.
O recente impasse na eleição para presidente, com a vitória por uma margem mínima do candidato Felipe Calderón, do Partido Ação Nacional (PAN), de centro-direita, sobre Andrés Manuel Lopez Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD) de esquerda, é uma mostra das dificuldades políticas de se governar o México.
''O México tem um sério problema de competição'', diz Ribeiro. Isso vale tanto para o mercado interno, no qual monopólios e oligopólios encarecem os preços de energia, combustíveis, cimentos, telecomunicações e de outros setores, como para as maquilladoras, a indústria voltada à exportação para os Estados Unidos. No primeiro caso, lembra o economista, uma das causas é a falta de eficácia de instituições reguladoras e de defesa da concorrência. E, no segundo, a falta de flexibilidade trabalhista, que tornou muito mais difícil reagir à enorme pressão competitiva da China na área de manufaturas.
Goldfajn observa que outra importante reforma emperrada no México é a tributária, embora o problema lá seja inteiramente diferente do brasileiro. Com uma carga tributária muito menor do que a do Brasil, o problema mexicano é a dependência das receitas da Pemex, a estatal de petróleo, para financiar as despesas do Estado. Em consequência, a Pemex investe menos do que deveria, e o setor petrolífero, de grande importância na economia mexicana, cresce menos do que poderia.

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