O Brasil poderá incrementar a área produtiva em cerca de 100 milhões de hectares sem provocar nenhum desmatamento. Essa área estaria localizada principalmente na Região Centro-Oeste, onde estão concentradas áreas degradadas de pastagem. A partir da sub-utilização dos pastos, a intenção do governo é incentivar, através de financiamentos, a utilização destes espaços para implantação de lavouras de grãos e de cana-de-açúcar (para geração da energia limpa). A proposta é manter 100 milhões de hectares de pastagem, dos 200 milhões utilizados atualmente.
  ‘‘Hoje o aumento da produção ocorre com ganhos de produtividade e o Brasil tem todas as condições necessárias, como água abundante e clima bom’’, afirmou Stephanes. Segundo ele, um estudo da FAO apontou que o Brasil é o único País do mundo com condições de aumentar a área plantada e a produção agrícola para suprir o aumento da demanda mundial por alimentos. A projeção é que em 15 ou 20 anos a produção de alimentos tenha que ser 50% maior do que é hoje.
  Ele lembrou que, até então, o mundo tinha excedente de commodities agrícolas e que, por isso, os produtores não tinham renda. ‘‘Agora os estoques mundiais, que sempre foram altos, estão caindo porque o consumo está aumentando, o que levou a um salto nos preços’’, observou.
  A agricultura, continuou o ministro, é importante para controlar a inflação e que, inclusive, tem sustentado a balança comercial. À frente do ministério, Stephanes considera dez pontos estratégicos para a agricultura brasileira, entre eles a defesa sanitária vegetal e animal; o desenvolvimento da tecnologia, renegociação da dívida agrícola e a auto-suficiência nacional em fertilizantes.
  O ministro também lembrou que o Brasil é o único País com condições de evoluir na produção comercial de energia limpa mas que, por enquanto, isso se restringe ao mercado interno. ‘‘As perspectivas para o mercado externo ainda são uma incógnita e, por isso, não devemos investir na ampliação rápida de usinas’’, disse. Um dos fatores que demonstram isso é que os preços do álcool são os mesmos há dois anos. Sobre a produção de biodiesel, ele avaliou a questão como mais complicada ainda com perspectivas comerciais somente em dez anos. (F.M.)

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