Brasil pode atrair US$ 20 bi ao ano
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terça-feira, 17 de setembro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - O Brasil tem condições de atrair US$ 20 bilhões ao ano em investimento direto estrangeiro (IDE), apesar do fim do processo de privatizações. A exceção será 2003, quando o IDE deverá recuar para a casa dos US$ 14 bilhões, ante US$ 16 bilhões estimados para este ano, resultado que acompanha a queda generalizada no fluxo global de IDE. A estimativa é consenso entre os especialistas que participaram ontem, em São Paulo, do lançamento simultâneo do Relatório Mundial de Investimentos da Unctad (Comissão da ONU para Comércio e Desenvolvimento). No País, o lançamento ficou a cargo da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais (Sobeet).
Segundo Luciano Coutinho, professor da Unicamp e conselheiro da Sobeet, US$ 20 bilhões de IDE ao ano é uma quantia considerada ''robusta''. Ele acredita que, passado o surto de insegurança e aversão internacional ao risco, o Brasil vai se posicionar entre os países mais atraentes para o investimento estrangeiro pela variedade de setores com potencial exportador e pelo tamanho do mercado interno.
Coutinho aponta que há espaço para investimentos em novas fábricas nos setores de eletrônicos, química, farmacêutica, bens de capital, automobilístico, commodities e minerais não-ferrosos. ''Mas também há muito espaço para IDE em fusões e aquisições. Tudo depende do crescimento da nossa economia'', afirmou Octávio de Barros, economista-chefe do BBV e também conselheiro da Sobeet.
Segundo o relatório da Unctad, o Brasil ocupa o terceiro lugar na lista dos países que mais recebem investimentos em novas fábricas. Do total de IDE recebido pelo Brasil no ano passado, 11% foram em nova capacidade produtiva. Na China, o porcentual foi de 32% e em Hong Kong, de 21%.
Para Coutinho, o Brasil tem condições de atrair mais empresas multinacionais interessadas tanto no mercado interno quanto nas exportações. As empresas estrangeiras têm demonstrado desempenho exportador mais forte do que as nacionais. Considerado um dos grandes especialistas em política industrial do Brasil, Coutinho defende políticas setoriais e não-discriminatórias, resolução de entraves como procedimentos aduaneiros e aumento do IDE brasileiro no Exterior, o que ajuda as exportações. ''Nada de renúncia ou incentivos fiscais. É preciso depurar o que já existe e usar os mecanismos de forma eficiente'', afirmou.


