O capital externo continua deixando o País, apesar das medidas tomadas pelo governo. Até as 19 horas de ontem, a saída de dólares no mês de agosto era de aproximadamente US$ 8,371 bilhões, segundo números do Banco Central e dados do mercado. Deixaram o País só ontem cerca de US$ 720 milhões. Mas para o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Demósthenes Madureira de Pinho Neto, as reservas de moedas estrangeiras podem cair por três meses consecutivos, entre agosto e outubro, devido ao vencimento de operações de curto e médio prazos e à situação internacional.
Pinho Neto afirmou que o governo não tem compromisso com a manutenção de metas com relação à posição das reservas. ‘‘Não precisamos manter as reservas entre US$ 68 bilhões e US$ 69 bilhões. Podemos ter quedas, e as reservas podem continuar em um patamar confortável. Ele não disse qual seria esse patamar.
O capital estrangeiro aplicado em renda fixa foi a principal fonte de saída de dólares, segundo o mercado. As captações externas destinadas ao setor rural (pela chamada ‘‘63 caipira’’) estão deixando o País em menor proporção, porque uma parcela maior vence em setembro - aproximadamente US$ 2,5 bilhões.
Depois do saldo positivo obtido anteontem, quando ingressaram US$ 326 milhões pelo segmento de taxas livres, o mercado voltou a ficar nervoso ontem. Por esse segmento, saíram do País cerca de US$ 470 milhões até as 19 horas. No segmento flutuante acontecem negociações de moeda estrangeira para turismo e CC-5 (contas de não-residentes no País).
Sobre a possibilidade de novas medidas, Pinho Neto disse que o BC ‘‘não está trabalhando em nenhuma mudança’’.

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