O Brasil continua sendo o líder mundial das exportações de carne de frango, mas poderia estar faturando muito mais se solucionasse algumas questões que envolvem custos de produção, mão de obra e até o relacionamento com os países para os quais vende seus produtos. Este é um dos assuntos pesquisados em um estudo desenvolvido pela União Brasileira de Avicultura (Ubabef) em parceria com a consultoria Agro Icone. O trabalho será apresentado durante o Salão Internacional da Avicultura (Siav), que acontece entre os dias 27 e 29 de agosto, em São Paulo.
De acordo com o levantamento, o Brasil poderia ter obtido receitas adicionais de US$ 1,65 bilhão e gerado cerca de 94 mil empregos diretos e indiretos, nos últimos quatro anos, não fosse a perda de competitividade de suas exportações de carne de frango. Se o quadro permanecer desta forma até 2020, poderão deixar de ser gerados em torno de 103 mil empregos diretos e indiretos na cadeia avícola.
Alguns outros números, destacados pelo presidente executivo da Ubabef, Francisco Turra, mostram a razão desta perda de competitividade. Se na década de 1990, o crescimento anual das exportações no País girava, em média, em 24% ao ano, nos últimos dois anos o número ficou em 2,5% ao ano. "Hoje mantemos a liderança, com 37% do market share mundial, mas os Estados Unidos e a Tailândia estão se aproximando", salienta ele.
Outros pontos acabam atrapalhando o processo. Se no Brasil o custo de produção do frango vivo ficava entre US$ 0,70 e US$ 1 há cinco anos, hoje está a pelo menos US$ 1,10. "Isso aconteceu também com o preço da mão de obra, que em território nacional saltou 166% de 2006 a 2012 e apenas 20% nos principais exportadores concorrentes." Para manter a liderança, o País se utiliza de outros benefícios, "como a facilidade para a ração graças a alta produção de grãos, o clima favorável e a eficiência do produtor", conclui Turra.

Relacionamento
Mais do que acertar questões relacionadas a produção e mercado, o presidente da Ubabef acredita que para o País incrementar seus números de exportação da carne de frango, é necessário melhorar o relacionamento com diversos países, realizando acordos bilaterais.
Um dos exemplos que Turra cita é a União Europeia (UE). Ele explica que o Brasil tenta, há 13 anos, através do Mercosul, melhorar as condições de tarifas alfandegárias, sem sucesso. Ele manifesta sua preocupação com a informação que o grupo de países planeja diminuir o volume de cotas de importação de carne de frango hoje existentes para os países do Mercosul – afetando o Brasil - antes de fechar acordos setoriais com os Estados Unidos e o Canadá. "Infelizmente pouco ou nada se faz para avançar em um acordo bilateral entre Brasil e União Europeia. O País está sendo lento e omisso, o que pode prejudicar o nosso setor", destaca.
Atualmente, a cota nacional de exportação para a UE é de 340 mil toneladas, o que Turra acredita que poderia estar próxima a 500 mil toneladas se houvesse algum tipo de negociação. De qualquer forma, ele acredita que 2013 deve fechar num valor de US$ 9 bilhões, um crescimento de receita de exportação de 8,4%. "Apesar do volume não aumentar tanto, melhoramos no valor. Vale lembrar que recentemente começamos a exportar também para o México."

Imagem ilustrativa da imagem Brasil perde US$ 1,65 bi em exportações de frango
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