Brasil perde US$ 1 bi com açúcar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de setembro de 2002
Agência Estado 
Genebra O Brasil entregará, até sexta-feira, duas queixas à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as políticas protecionistas da União Européia (UE) e dos Estados Unidos no setor agrícola. Segundo diplomatas brasileiros, os documentos com a denúncia estão praticamente prontos e o País deve encaminhar um pedido para que a OMC faça uma intervenção sobre os subsídios dados por Bruxelas aos produtores de açúcar e outro sobre a ajuda de Washington ao setor do algodão.
''Estamos apenas definindo os últimos detalhes'', garantiu o embaixador do Brasil na OMC, Luís Felipe Seixas Correa.
Na avaliação do Brasil, os subsídios de Bruxelas permitem que os europeus exportem 3,6 milhões de toneladas de açúcar por ano e, como consequência, o Brasil deixa de arrecadar quase US$ 1 bilhão com as vendas de açúcar ao mundo. No caso do algodão, o principal efeito dos subsídios norte-americanos é a queda nos preços internacionais do produto, o que repercute de forma negativa para os agricultores brasileiros.
Enquanto o Brasil faz os últimos preparativos para iniciar as batalhas, os europeus alertam que, se o Brasil abrir um painel (comitê de investigação) contra Bruxelas, a UE irá revidar com o questionamento do Proálcool na OMC. Bruxelas alega que o programa confere subsídios ilegais aos produtores de cana-de-açúcar no Brasil.
Negociação - Além das ameaças, os europeus pedem que o tema seja debatido entre as duas partes antes que o Brasil recorra à OMC. ''Preferimos negociar, e não entrar em uma disputa'', afirmou a negociadora chefe de Bruxelas, Mary Minch. Segundo ela, um processo como o que o País planeja abrir pode atrapalhar as negociações agrícolas da Rodada da OMC, lançadas em Doha em novembro. Segundo o mandato de Doha, os mais de 140 países da organização devem entrar em um acordo até 2005 para a liberalização do mercado agrícola mundial.
Apesar das ameaças da UE, o apoio ao Brasil continua a crescer. Os australianos confirmaram que também vão entrar com uma queixa nos próximos dias, apesar de terem sido ameaçados pelos europeus com outra queixa. O governo da Tailândia ainda estuda a possibilidade de entrar a favor do Brasil no caso contra a UE e a Guatemala indicou interesse em apoiar o Itamaraty.


