O Brasil deixou de colher 36 milhões de sacas de soja na safra 2002/03. O volume equivalente a 6% da produção ficou pelo solo na hora da colheita por manejo inadequado da lavoura e operação incorreta das colheitadeiras. Segundo o pesquisador Nilton Pereira da Costa, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Soja), em Londrina, enquanto a perda tolerável é de 0,75 sacas por hectare (ha), o País perde, em média, duas sacas por ha.
Isso significa que a perda de 1,25 sacas por ha poderia ter sido evitada. O desperdício, que corresponde a 22,55 milhões de sacas, resultou em prejuízo estimado em R$ 1,125 bilhão.
O dinheiro é suficiente para comprar 7,5 mil colheitadeiras, 22,5 mil tratores ou 75 mil carros populares. Permitiria, ainda, adquirir 112,5 mil casas populares ou 7,5 milhões de cestas básicas, conforme comparação feita por Costa, que é coordenador do Programa de Redução de Desperdícios na Cultura da Soja no Brasil.
Na contramão da média brasileira, o Paraná é o que menos perde soja durante a colheita no País. O índice estadual é de 1,1 saca por ha, valor que se aproxima da 0,75 saca por ha preconizada pela Embrapa. De acordo com Costa, a performance é garantida pela forte campanha realizada pela Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/PR), que frequentemente treina operadores de máquinas para torná-los mais aptos ao trabalho.
Uma das iniciativas para combater o problema são os concursos contra as perdas na colheita da soja. Hoje, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), pesquisadores da Embrapa Soja farão a pesagem de amostras recolhidas em 101 colheitadeiras inscritas no 10º concurso contra perdas na colheita da soja, que encerra as atividades da 7 Semana Municipal de Agricultura. Os três operadores que apresentarem melhor desempenho receberão troféus e prêmios surpresa.
Na primeira edição do concurso, de acordo com o extensionista da Emater, Romeu de Souza, as perdas médias do município foram de 2,4 sacas por hectare (ha). No ano passado, o volume caiu para 0,49 sacas por ha.
Dicas - O pesquisador Costa, da Embrapa Soja, lembra que os bons resultados são obtidos graças ao manejo adequado da lavoura e utilização correta da colheitadeira. Ele orienta a iniciar a colheita assim que a soja atinja o estágio R8 (ponto de colheita de campo). Antes desse período, portanto, o produtor já deve manter preparados os armazéns, as máquinas e toda a estrutura necessária para o processo.
Entre as principais causas de perda por causa do manejo, ele cita a umidade inadequada (o teor de umidade do grão deve estar entre 13% e 15%); a ocorrência de plantas daninhas; inadequação da época de semeadura, do espaçamento e da densidade; mau preparo do solo; uso de cultivares não adaptadas e retardamento da colheita.
A operação inadequada e a má regulagem da colheitadeira constituem o principal motivo direto de perdas. Por isso, Costa recomenda a manutenção do trabalho harmônico entre o molinete, barra de corte, cilindro e peneiras do equipamento. A velocidade de deslocamento da máquina deve ser sincronizada com a velocidade das lâminas e do molinete, ficando entre 4 e 6 km/hora.

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