Curitiba - O mercado se deu conta de que as perdas nas lavouras de grãos provocadas pela mais forte estiagem desde 2000 não estão restritas ao Rio Grande do Sul. Os efeitos do clima prejudicaram a agropecuária de toda a região Centro-Sul. No Brasil, a expectativa de produção de soja caiu de 64 milhões de toneladas para 52 milhões de toneladas, conforme previsão da agência Safras e Mercados, de Curitiba, divulgada ontem. O potencial de produção de milho caiu de 27 milhões para 24,4 milhões de toneladas.
Para o analista, Fávio França Júnior, as perdas foram severas demais e o mercado se conscientizou da situação somente nas últimas três semanas. No Paraná, a expectativa de produção de soja caiu de 13 milhões de toneladas para 9,5 milhões de toneladas, uma perda de 27%, que não vinha sendo cogitada até o final de fevereiro, salientou. No Rio Grande do Sul, a quebra de safra foi um ''desastre''. De uma estimativa inicial de produção de 10 milhões de toneladas, os produtores gaúchos vão colher 3,7 milhões de toneladas, uma quebra que beira os 70%.
De acordo com França, a média de produtividade da soja caiu de 2.800 quilos por hectare para 2.300 quilos por hectare, abaixo da média de 2.525 quilos por hectare atingidos na safra 03/04, que já foi ruim, enfatizou. Para o analista, o clima seco afetou também a produção da Argentina e Paraguai. Só o Paraguai deverá perder dois milhões de toneladas, sendo que a produção no País cai de 5,5 milhões para 3,5 milhões de toneladas. A produção argentina, menos atingida, deve cair de 39 milhões para 38 milhões de toneladas.
O plantio do milho safrinha no Estado também foi prejudicado. De acordo com o analista da Safras, Paulo Molinari, de uma expectativa de plantio de 1,1 milhão de hectares, só foi efetivado plantio em 1 milhão de hectares. Por conta dessa redução do plantio e da produtividade, a expectativa de produção já caiu de 4,2 milhões de toneladas para 3,8 milhões de toneladas, disse o analista.Entre as duas safras de milho no Estado, a expectativa de produção cai de 11 milhões de toneladas para 10 milhões de toneladas, numa previsão otimista, salientou. Para Molinari, precisa chover mais para os produtores não desistirem de plantar o milho safrinha.
A ajuda do governo federal para os agricultores paranaenses atingidos pela seca pode demorar mais do que o previsto por causa da burocracia.De acordo com o capitão Maurício Genero, da Defesa Civil, o processo já está em Brasília para análise mas alguns documentos estão retornando por falhas de preenchimento das prefeituras.

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