Pouco mais de 0,5% é o que o Brasil perde de seu PIB por utilizar meios de transportes mais caros para o escoamento de seus produtos aos grandes centros consumidores e exterior. ‘‘Estamos na contramão e isto se caracteriza como um caso de aberração’’, disse ontem, em Curitiba, o engenheiro Paulo Augusto Vivacqua, ao apresentar a alternativa das mesas de integração do Corredor Atlântico do Mercosul.
Levantamentos realizados por consultorias internacionais mostram que os custos internos dos transportes no Brasil representam o dobro dos praticados em países como Canadá, Rússia e China, informa Vivacqua. Nesse caso específico se destaca o transporte rodoviário, responsável por 70% da movimentação de cargas no Brasil, percentual elevadíssimo segundo padrões internacionais.
O Consórcio do Corredor Atlântico do Mercosul quer corrigir essas distorções, com as mesas de integração que visam discutir a redução drástica dos custos de transportes e abrir novas perspectivas ao seu crescimento.
Essas mesas, explica Vivacqua, se constituem em fóruns instalados em cidades portuárias e em pontos estratégicos, onde se reúnem, de forma regular, representantes de empresas transportadoras, armadores, operadores portuários, aeroportos, armazenadoras, tradings, empresas de telecomunicações, órgãos públicos, receita federal, governos, prefeituras e entidades de classes.
O Corredor Atlântico do Mercosul pretende estimular a integração econômica entre as cidades portuárias e os mercados mais distantes. Segundo Vivacqua, a concentração maior das populações está justamente na faixa atlântico-costeira. Ou seja, de São Luís do Maranhão, a Comodoro Rivadavia, na Argentina. Diante desse quadro é importante ligar a origem da carga à ferrovia ou aos portos, em verdadeiras cadeias intermodais.
Para o transporte por rodovias, o diretor do Corredor Atlântico do Mercosul sugere uma distância entre 200 a 400 quilômetros, como fazem nos países europeus e asiáticos, diminuindo custos e ampliando negócios.
O diretor executivo da Federação das Empresas de Transportes do Paraná, Sérgio Malucelli, mostrou-se interessado em discutir o projeto de Vivacqua, ‘‘mas não adianta o transporte ferroviário ser mais barato e não ser eficiente’’, compara.

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