Brasil pede redução de barreiras comerciais russas
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2002
Agência Estado 
Moscou A conquista do mercado russo vai requerer muita negociação política no âmbito das tarifas. Os russos mantêm barreiras tarifárias elevadas em áreas de interesse do Brasil. Dois exemplos, em ramos bem diferentes: a carne brasileira enfrenta barreiras da ordem de 40%; já os aviões da Embraer terão de saltar obstáculos de 44%.
De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Sérgio Amaral, os brasileiros propuseram aos russos baixar a tarifa de importação da carne para 5%. As negociações devem continuar hoje e a expectativa é de que se chegue a um meio termo entre os dois níveis.
No mundo desenvolvido não existe taxa de importações de avião. É zero, disse o presidente da Embraer, Maurício Botelho. Tarifa de importação é instrumento de política econômica e industrial, afirmou Botelho, sugerindo que o tema deve ser discutido no âmbito dos governos. O Brasil apóia o ingresso da Rússia na Organização Mundial do Comércio (OMC), o que levaria a uma expressiva redução de suas tarifas.
Segundo Botelho, na Rússia não existe ainda um mercado de aviação regional, o que representa uma oportunidade. O empresário não descartou a possibilidade de realizar uma joint venture para fabricar aviões na Rússia: Não tenho bloqueio mental. Estamos mostrando a face. A Embraer é a maior multinacional brasileira e tem de considerar o aumento da sua presença.
Mikhail Stroikov, diretor de importações da Ocean Product-M, que atua na área de carnes, ficou bem impressionado com os encontros com os brasileiros e com o discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso. Sua empresa já importa carne suína brasileira e pretende começar a comprar frango. Tudo o que a Rússia importa podemos produzir, entusiasmou-se o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira. A Rússia pode se tornar um grande parceiro do Brasil e aí a gente deixa os Estados Unidos falando sozinho.


