São Paulo - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, participa hoje e amanhã, em Montreal, no Canadá, da reunião da Organização Mundial do Comércio, preparatória à Conferência de Ministros da OMC, que será realizada de 10 a 14 de setembro em Cancún, no México, confirmou o Ministério da Agricultura. Durante o encontro, os ministros dos países-membros da OMC vão discutir propostas para abertura plena do comércio agrícola internacional. Está previsto também um encontro de Rodrigues com o seu colega canadense, Lyle Vanclief.
Durante a reunião de Montreal, Roberto Rodrigues vai destacar a posição do Brasil em defesa da redução dos subsídios à produção e às exportações agropecuárias concedidos pelos países desenvolvidos. Também se posicionará a favor da eliminação das barreiras tarifárias e não-tarifárias que dificultam o acesso dos países agrícolas em desenvolvimento ao mercado internacional. Para o governo brasileiro, a busca de solução para essas questões é fundamental para estabelecer um acordo comercial agrícola na OMC.
Pessimismo ''Última esperança''. Era assim que diplomatas na Organização Mundial do Comércio (OMC) estavam classificando a reunião de Montreal entre ministros de 26 países, que, para muitos, definirá se a Conferência Ministerial da OMC, em Cancún em setembro, representará mais um fracasso da entidade máxima do comércio.
Cancún terá a função de definir, entre outras coisas, qual será o ritmo que se adotará para a liberalização do mercado agrícola mundial. Além disso, os países terão que encontrar uma posição comum sobre investimentos, concorrência, acesso a remédios e compras governamentais. O que preocupa, porém, é que não existe sequer um sinal político de acordo em nenhum desses itens, o que poderá atrasar o final das negociações, previsto para 2005.
Para o Brasil, o que está em jogo em todo esse processo é o compromisso inédito que os países haviam acertado em 2001, de colocar o desenvolvimento no centro da agenda comercial. O governo lembra que a luta por regras que dêem a possibilidade de crescimento para os países pobres se confunde com a própria história do sistema internacional do comércio. A diferença é que, desta vez, os países prometem não assinar qualquer tipo de acordo que não preveja ganhos em setores como o agrícola.
Diplomatas apontam que as regras do comércio mundial começaram a ser negociadas após a Segunda Guerra Mundial. Desde então, a abertura dos mercados mundiais foi significativa e a cada uma das oito rodadas de negociações, as tarifas de importação caíram em cerca de 35%. Enquanto isso, o comércio mundial se multiplicou por 22 entre 1948 e 2000.
O problema é que a abertura comercial nunca ocorreu nos setores em que os países em desenvolvimento eram mais competitivos, como agricultura e têxteis. ''Muitos países se aproveitaram por mais de 50 anos do sistema comercial e, agora, quando são solicitados a fazer concessões, se negam'', afirma um negociador brasileiro.
E não são apenas os países em desenvolvimento que estarão pressionando os governos ricos por medidas concretas para que as negociações avancem. Fora do local das reuniões, manifestantes prometem fazer de tudo para pedir que os interesses dos países pobres sejam escutados.
Para alguns dos manifestantes, os protestos, mesmo antes de começarem,já tiveram impactos importantes. O hotel que estava agendado para receber a conferência de Montreal, o Queen Elizabeth, se negou a receber o evento há poucas semanas temendo os protestos e o governo canadense foi obrigado a encontrar um novo local para a reunião.
Além da reunião da OMC, o ministro participará das reuniões da Coalizão Internacional de Produtores para Regras Justas e Equilibradas no Comércio Agrícola no âmbito da OMC, da Aliança Comercial Canadense de Agricultura e Alimentação e do Grupo de Cairns, formado por 17 países agrícolas.

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