Ed Ferreira/Agência EstadoContas externasO chefe do Departamento Economico do BC, Altamir Lopes, fala sobre o balanço de pagamentos: juros maioresBRASÍLIA - Para amortizar parte da dívida externa dos setores público e privado, o Brasil vai pagar US$ 19 bilhões aos credores internacionais este ano. A estimativa do governo foi confirmada ontem pelo chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes. No pagamento de juros da mesma dívida, segundo Lopes, o País vai desembolsar um montante superior aos US$ 12,7 bilhões do ano passado. ‘‘O Brasil captou mais recursos no Exterior, então temos mais juros a pagar’’.
No ano passado, os juros, as amortizações e o déficit da balança comercial, que encerrou 1996 em US$ 5,5 bilhões, foram os principais responsáveis pelo saldo negativo nas transações de comércio e de serviços que o Brasil realizou com o Exterior, o chamado déficit em transações correntes. Contra os US$ 17,9 bilhões de 1995, o déficit nas transações correntes de 96 chegou a US$ 24,3 bilhões.
No balanço de pagamentos, que além das operações de comércio e serviços, inclui as transações de investimentos, o saldo encerrou o ano positivo em US$ 8,6 bilhões. Isso significa que o País recebeu mais dinheiro dos investidores internacionais do que mandou ao Exterior. O saldo positivo foi incorporado às reservas internacionais do País.
Lopes destaca que, embora o déficit em transações correntes tenha ultrapassado as previsões do governo (era inferior a 3% e ficou em 3,27% do PIB), a situação do País é tranquila. Ele diz que, ao contrário de 95, o ano passado já demonstrou uma melhor qualidade do capital investido no Brasil. Com isso, aumentou a parcela do déficit financiado com recursos de longo prazo.
Para este ano, com a aceleração do programa de privatização, as previsões são mais otimistas pois, somente em janeiro, houve um ingresso líquido de US$ 800 milhões de investimentos diretos, dinheiro que normalmente vem para ficar no País. Seja no financiamento para expansão de empresas ou fundação de novas. Até dezembro, segundo prevê Lopes, mais de US$ 12 bilhões destes investimentos devem ingressar no Brasil.
Em janeiro, um novo déficit na balança comercial, desta vez de US$ 413 milhões, voltou a ter impacto nas transações correntes. No mês, o País pagou mais US$ 1,9 bilhão do que recebeu nas operações de comércio e serviços com o mercado internacional. ‘‘Houve uma piora do comércio’’, destacou o chefe do Depec, lembrando que, em janeiro de 95, a balança comercial foi superavitária em US$ 35 milhões.
As viagens de brasileiros para o Exterior também influenciaram as contas do País. Em janeiro de 95, os brasileiros gastaram US$ 264 milhões em outros países. No ano, foram US$ 3,5 bilhões. No mês passado, US$ 340 milhões.

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