Brasil ocupa 39º lugar em mercado de trabalho
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sexta-feira, 19 de novembro de 2004
Jander Ramon<br>Agência Estado 
São Paulo A segurança do mercado de trabalho brasileiro ficou na 39 posição, atrás da Argentina (37 posição), em um universo de 90 países que concentram 86% da população mundial, de acordo com estudo realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e divulgado ontem pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP.
O estudo, conhecido como Índice de Segurança Econômica (ISE), considerou fatores como oportunidades do mercado de trabalho, proteção contra a demissões, carreiras, proteção contra os acidentes e enfermidades no trabalho, horário de trabalho, educação e formação profissional, renda, tributação progressiva e a proteção da participação coletiva por meio de sindicatos independentes e associações de empregadores incorporados nas decisões de governo.
Suécia, Finlândia, Noruega e Dinamarca, países escandinavos, oferecem os indicadores mais elevados, mostra o estudo, seguidos pela Holanda, Bélgica, França, Luxemburgo, Canadá, Irlanda, Áustria, Espanha, Portugal e Reino Unido. Os Estados Unidos, ocupam o 25º lugar e o Brasil apareceu num bloco intermediário, que além de Argentina, teve presença de Ucrânia, Costa Rica, África do Sul e Panamá.
O levantamento adverte que a segurança econômica está distante da maioria dos trabalhadores do mundo e que essa realidade contribui para criar um mundo marcado pela ansiedade e pela violência. ''Apenas 8% dos trabalhadores vivem em países ricos, nos quais é possível encontrar condições favoráveis na área de segurança econômica'', informa a OIT.
Outra conclusão do documento revela que a ''América Latina é a região mais desigual do mundo no que se refere à distribuição de renda'', e que tal tendência tem se acentuado ao longo do tempo.
Também foi notado que no continente latino-americano os seguros-desemprego têm limitada aplicação e funcionam nos países que têm a seguridade social mais desenvolvida, mas com uma cobertura restrita. ''No Brasil, as pessoas que mais se beneficiaram com formação e treinamento integram o grupo composto por homens com melhor nível de educação, o que sugere que os planos estaduais de qualificação introduzidos em 1996, para melhorar a qualificação dos grupos vulneráveis, tiveram um êxito limitado'', adiciona o estudo.
O pessimismo entre trabalhadores também merece destaque. ''Na América Latina, apenas um em cada quatro empregados entrevistados foi beneficiado por uma promoção nos últimos anos'', informa. ''Grande parte dos trabalhadores se mostra pessimista e a ampla maioria na Argentina, Brasil e Chile não tem expectativa de melhorar sua situação nos próximos dois anos.''


