Lima - O Brasil recebeu apoio de praticamente todos os países latino-americanos para, em conjunto, pedirem aos organismos multilaterias de financiamento a mudança no cálculo do superávit primário, principalmente no que se refere a investimentos em infra-estrutura. O apoio foi conseguido, em grande parte, graças ao empenho do ministro do Planejamento, Guido Mantega, que, desde que desembarcou (sábado) em Lima, fez uma verdadeira maratona de reuniões com os ministros de Fazenda ou Finanças dos principais países latino-americanos membros do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Na segunda-feira à noite, Mantega chegou a comentar com a Agênca Estado que os representantes dos países da região, que participaram da 45 Assembléia Anual de Governadores do BID, estavam convencidos de que investimentos em projetos que promovem desenvolvimento e geram riqueza não podiam mais entrar na contabilização do superávit primário.
Agora, todos vão encerrar a assembléia do BID com uma declaração, que foi intitulada de ''Carta de Lima'', e levá-la à reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird) no dia 15 de abril. Futuras e eventuais mudanças na contabilização dos gastos primários, no entanto, dependerão da decisão do Fundo.
''Todos os países conseguiram vencer muitas dificuldades ao longo destes anos, fazendo ajustes fiscais duros, reformas institucionais, aperfeiçoamentos de marco regulatório, mas ainda o desenvolvimento não ocorreu'', disse Mantega. De acordo com ele, o ligeiro crescimento verificado em algumas economias não é suficiente para resolver os problemas da pobreza, razão pela qual é necessário investir mais. ''Agora, é o momento da onça beber água. Ou nós crescemos e damos um passo adiante ou vamos morrer na praia'', afirmou o ministro. ''Nós (os ministros) notamos que todos estão preocupados com os investimentos e sem eles não é possível haver crescimento sustentável.''
O problema, explicou o ministro, é que há, hoje, obstáculos para que esses investimentos, principalmente em infra-estrutura, possam se concretizar. De acordo com ele, esses obstáculos são de ordem contábil. No passado, explicou o ministro, havia uma certa irresponsabilidade sobre os gastos, que muitas vezes se travestia gasto corrente como investimento, por isso havia uma necessidade de rigidez maior dos organismos internacionais. ''Ou seja, tudo virava gasto, tudo foi colocado no mesmo saco.'' Hoje em dia, acrescentou Mantega, o quadro evoluiu muito e todo mundo assumiu a responsabilidade fiscal como regra e isso vai ser mantido.

mockup