Brasil no meio da guerra de gigantes
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quinta-feira, 12 de julho de 2018
Aline Machado Machado<br>Reportagem Local 
A guerra comercial entre Estados Unidos e China está provocando volatilidade no mercado externo, mas a professora de finanças Ana Paula Cherubim, do curso de administração da UFPR (Universidade Federal do Paraná), acredita que o Brasil não sofrerá grandes impactos. "Os Estados Unidos não são principal parceiro comercial do Brasil e nem do Paraná. A nossa atividade vai ser impactada marginalmente", afirmou Cherubim. O sinal de alerta, segundo ela, será quando e, se, a atividade econômica na China começar a diminuir.
Para o delegado do Corecon (Conselho Regional de Econômica), economista Marcos Rogérigo Gabriel, a deteriozação das relações entre Estados Unidos e China causa flutuação dos indicadores econômicos, o que pode provocar fuga de capital estrangeiro. "Essa volatilidade faz com que os os investidores vendam ações dos países em desenvolvimento para investir no tesouro americano, valorizando o dólar ante as outras moedas", explicou o economista.
O lado positivo dessa briga de gigantes é que os dois países podem demandar produtos brasileiros fortalecendo as exportações, comentou Gabriel.
O USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) divulgou a proposta de tarifar em 10% 6.031 tipos de produtos da China. As compras desses bens pelos importadores americanos somam US$ 200 bilhões anuais.
A lista inclui produtos agropecuários, materiais de construção, mineração, componentes de bens de consumo. Segundo o USTR, o processo de seleção de bens chineses levou em conta prováveis impactos sobre consumidores dos EUA.
A proposta de sobretarifação de 10% é mais um capítulo da guerra comercial entre os dois países. No dia 18 de junho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia anunciado que havia pedido ao USTR que identificasse US$ 200 bilhões em produtos chineses a serem alvo dessa barreira. Naquela madrugada, a China passou a classificar a briga tarifária como "guerra comercial".
O governo chinês criticou a decisão dos norte-americanos e disse que as medidas são "totalmente inaceitáveis". O ministério do Comércio da China não deu detalhes sobre as ações que serão tomadas. Entretanto, em comunicado, disse que "será forçado a impor contramedidas necessárias para proteger seus próprios interesses". (Com Agência Estado)


