A combinação entre um rebaixamento do risco brasileiro por duas agências de classificação, a Standard & Poors e a Duff & Phelps, a forte saída de dólares mesmo após a elevação dos juros e um cenário externo bastante conturbado fez a Bovespa amargar a maior baixa do ano e a quinta maior de sua história: o Índice Bovespa fechou o pregão da quinta-feira com uma desvalorização de 15,83%, a 4.760 pontos.
No Rio a situação não foi muito diferente. A bolsa fechou com queda de 15,98%, para 16.486 pontos - a terceira maior da história. A maior foi de 28 de março de 1990, com o Plano Collor, quando a queda foi de 18,9%. A segunda, em 26 de março de 1990, com retração de 16,3%. O volume financeiro hoje foi de R$ 13 milhões.
O desempenho de ontem em São Paulo fez a desvalorização acumulada no ano bater em 53,32%, e a perda no mês já alcança 26,45%. Os contratos futuros de Índice Bovespa negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) com vencimento em outubro recuaram 14,9%.
A baixa foi tão violenta que os negócios foram interrompidos duas vezes, pela primeira vez na história da Bovespa. Quando o índice caiu 10% às 11h07, os negócios foram paralisados por 30 minutos. Na volta das transações, o mercado não conseguiu melhorar de humor e as ações continuaram embicando: às 16h26, o Ibovespa recuou 15% e o segundo circuit-breaker do dia foi acionado, e desta vez parou a sessão por uma hora. Na meia hora que restou dos negócios, o Ibovespa continuou em queda: bateu num mínimo de 4.750 pontos, queda de 16% cravados, e recuperou-se marginalmente antes do encerramento dos negócios.
‘‘O mercado operou em queda livre, achando que o governo não vai conseguiu sustentar a moeda sem ajuda de um organismo internacional’’, disse Pedro Thomazoni, operador-chefe de mercado de capitais do Lloyds Bank. ‘‘A sangria de reservas continua afetando a credibilidade do País’’, acrescentou.
Mais uma vez, o movimento de venda foi capitaneado pelos investidores estrangeiros. ‘‘Hoje, o medo é principalmente de uma desvalorização do real’’, disse um profissional de mercado. Ele acrescentou que, por isso, os estrangeiros estão vendendo ações a qualquer preço e saindo do País.
Segundo operadores, a atuação classificada como ‘‘desatrada’’ por mais de um profissional de mercado do Banco Central no mercado de juros no fim da tarde da quarta-feira catalisou a deterioração das expectativas ontem. O BC tentou, sem sucesso, vender um lote de papéis prefixados com prazo de apenas 14 dias. Como a autoridade monetária não concedeu a elevada remuneração que o mercado pedia, entre 34% e 50% ao ano, os papéis não foram vendidos.
A notícia desse leilão no fim do dia foi interpretada pelo mercado como uma indicação de que o BC iria elevar fortemente os juros, como fez em outubro do ano passado. A não-confirmação do leilão, porém, deixou o mercado confuso. Ontem, o BC atuou duas vezes no mercado, captando recursos a 29,75% e vendendo papéis prefixados a 31,5% ao ano, mantendo a indefinição.

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