Brasil negociará com a UE sem pensar em prazos
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quinta-feira, 12 de agosto de 2004
Lu Aiko Otta<br> Agência Estado 
Brasília - As conversas entre o Mercosul e a União Européia (UE) continuarão, apesar do fracasso da rodada de negociação encerrada ontem. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou, no entanto, que não se deixará pressionar pelo cronograma, que prevê o final dos entendimentos em outubro. ''Os prazos não podem condicionar o conteúdo'', disse. ''Não sei se há risco de sair dos trilhos, mas às vezes a velocidade do trem tem de diminuir.''
Desde a manhã de ontem, antes do término das conversas no Itamaraty, Amorim já dava sinais de que as negociações iam mal. ''Deixei muito claro ao comissário Pascal Lamy que, se nós não fôssemos ter uma oferta agrícola, se não pudéssemos ter uma idéia do que ela significa efetivamente em números que pudéssemos mensurar, nós não teríamos condições de avançar.''
Amorim comentou que ''agosto é um bom mês para refletir''. As negociações serão retomadas no início de setembro. Ele ressaltou, porém, que o Brasil, ''diferentemente de outros, não pode aceitar uma negociação só sob o pretexto de que uma boa negociação com a Alca e a União Européia'' faz o risco país cair.
Segundo Amorim, a dificuldade em avançar veio da recusa européia em explicitar sua oferta ao Mercosul.


