Os governos do Brasil e da Rússia negociam a redução de tarifas para a exportação de produtos brasileiros. Os dois países haviam se reunido no final do ano passado, quando o Brasil apresentou uma lista de produtos que gostaria que tivessem tarifas mais baixas para entrar no mercado russo. Nesta semana, foi a vez do governo de Moscou entregar uma resposta ao pedido brasileiro.
‘‘Queremos estabelecer uma sólida relação comercial com o Brasil’’, afirmou o vice-ministro de Comércio Exterior da Rússia, Maxim Medvedkov, à Agência Estado. As reuniões entre Brasil e Rússia fazem parte do processo de entrada dos russos na Organização Mundial do Comércio (OMC). Para que sejam aceitos, os russos devem concluir acordos comerciais com os demais países da organização e, segundo Medvedkov, o Brasil é um ‘‘país-chave’’ nesse processo.
O acordo deverá reverter o fraco desempenho das exportações do Brasil para a Rússia, que em 2000 não representam sequer 1% das vendas externas nacionais. O valor dos embarques, no ano passado, foi de apenas US$ 422 milhões. Para aumentar o volume das vendas, o Brasil aposta no setor agrícola. 60% das exportações de açúcar do País já tem como destino o mercado russo. Somente no ano passado, o País vendeu US$ 308 milhões para os russos, mesmo com tarifas de mais de 40%. Com a possibilidade de taxas de importação mais baixas, a expectativa é de que esse valor possa aumentar significativamente.
Atualmente, a produção russa de açúcar é suficiente para abastecer apenas metade do mercado local e a importação, principalmente do Brasil, é inevitável. As exportações de carnes e de café também fazem parte da agenda brasileira nas negociações bilaterais. Em 2000, os russos compraram US$ 30 milhões em carne suína e US$ 13 milhões em carne de frango.
Mas os diplomatas brasileiros não querem apenas exportar produtos agrícolas.
Na lista apresentada pelos russos está a possibilidade da exportação de automóveis e autopeças, além de calçados. O governo brasileiro ainda espera conseguir boas condições para a venda de aeronaves da Embraer. O governo brasileiro acredita que a Rússia, com dimensões continentais, seria um mercado natural para os jatos regionais da empresa.
Apesar do império russo ter sido um dos primeiros países a reconhecer a independência do Brasil, em 1828, as relações entre os dois países ficaram congeladas durante a Guerra Fria. Com o fim do enfrentamento entre Estados Unidos e a ex-URSS, foi aberto espaço para novo diálogo. O próprio Itamaraty reconhece que as relações entre os dois países estão em uma fase de redefinição e uma Comissão Bilateral de Alto Nível foi criada em 1999 com o objetivo de identificar áreas para a cooperação entre Brasília e Moscou.
Mesmo com o empenho dos governos de estabelecer um novo diálogo, um acordo comercial entre os dois países ainda não tem data marcada para ser concluído. ‘‘Alguns pontos ainda estão longe do que queremos’’, afirmou um funcionário do governo brasileiro.

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