Brasil não vai ter crise como a Ásia, diz Krugman
O economista Paul Krugman, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), disse ontem não acreditar que o Brasil possa ser candidato a uma crise financeira como aconteceu no leste e sudeste asiáticos. Segundo ele, crises desse tipo acontecem quando há um desequilíbrio dos bancos ou outras instituições financeiras. Não parece que o Brasil tenha um sistema bancário que tenha azedado tanto como o que existia nos países asiáticos antes da crise, afirmou. Ele pondera, no entanto, que nunca é possível ter um diagnóstico definitivo sobre os sistemas financeiros porque só se tem como informação os dados que eles próprios publicam.
O economista ponderou também que o sistema financeiro brasileiro talvez não tenha tido a oportunidade de ter azedado porque o Brasil não recebeu por um prazo extenso capitais estrangeiros. Isso, ao contrário, aconteceu na Ásia, onde o mercado internacional punha dinheiro sem a preocupação do destino final daqueles investimentos.
Krugman ponderou que o Brasil tem todos os ingredientes que poderiam levar sua economia a uma crise de segunda geração. Essas crises são caracterizadas por economias que não crescem com tanta rapidez como sua produtividade e, consequentemente, não conseguem absorver a mão-de-obra disponível, gerando desemprego crescente. Outro componente para esse tipo de crise é o comprometimento do governo com uma política cambial programada, fixa e, por fim, as próprias taxas de juros elevadas, que reforçariam os componentes geradores da crise. A crise da Inglaterra em 1992, foi o exemplo dado por Krugman como uma crise de segunda geração.
Segundo ele, em tese essas crises são benéficas para a economia real. Mas, no caso de países emergentes, o bom desfecho para a crise fica dependente da reação do mercado financeiro internacional. Nesse caso, a situação do Brasil seria muito mais próxima da do México, que viveu uma crise de segunda geração em 1994, quando os mercados reafirmaram a desconfiança sobre o desempenho da economia mexicana.
Krugman disse que não vê a hipótese de que venha a acontecer um crash global da economia em decorrência da crise asiática. Segundo ele, há uma análise disseminada de que existe excesso de oferta no mundo para uma demanda reduzida, o que levaria a uma deflação mundial. Não levo isso a sério, argumentou o economista.





