Brasil não muda MP, afirma Lampreia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de abril de 1997
Agência Folha de São Paulo 
Arquivo FolhaChoro exageradoO ministro das Relações Exteriores, Luis Felipe Lampreia, não vê razão nas queixas dos argentinos: O petróleo responde por mais de um terço das exportações daquele país para o Brasil, e a isenção desse produto já está prevista na MP, afirmaO ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, disse ontem que o governo brasileiro não deve alterar a Medida Provisória sobre as importações baixada na semana passada. Entre os parceiros do Brasil, a Argentina é um dos países que mais estão reclamando da recente decisão de restringir as importações financiadas até um ano. A medida atinge principalmente os setores alimentício e têxtil argentinos.
Lampreia afirmou que parte das importações argentinas já está livre da medida. Ele citou o caso do petróleo. O petróleo responde por mais de um terço das exportações argentinas para o Brasil, e a isenção desse produto já está prevista na MP, disse.
Segundo ele, o Brasil vai continuar discutindo outros produtos da pauta de exportação da Argentina. Outros parceiros também serão ouvidos. Além de isentar o petróleo, a MP autoriza o ministro da Fazenda a determinar regulações específicas para determinados setores da economia. A possibilidade existe e será usada quando necessário. Esse é um dos caminhos para a solução do impasse, afirmou.
Lampreia disse que as divergências comerciais entre o Brasil e os seus parceiros do Mercosul não devem atrapalhar as negociações da Alca (Área de Livre Comércio das Américas). A decisão do Mercosul de se apresentar unido nas negociações da Alca foi muito refletida e aprofundada e não deve ser abalada por desavenças comerciais que sempre ocorrem, disse o ministro.
O ministro Lampreia participou ontem da abertura do seminário O Direito do Comércio Internacional, no Parlamento Latino-Americano, em São Paulo.


