Brasil não irá crescer mais de 5% em 2010
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quinta-feira, 08 de outubro de 2009
Renato Andrade<br> Agência Estado 
Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reforçou ontem o tom de preocupação que tomou conta de parte do governo por conta do de crescimento da economia no próximo ano. Mantega foi categórico ao dizer que o Brasil não irá crescer mais de 5% em 2010, como alguns analistas já projetam, e ressaltou que otimismo demais as vezes preocupa.
Ele destacou, por exemplo, o bom conceito que o Brasil adquiriu de outros países. É tão alto o nosso conceito que preocupa. O povo está louco para vir para cá fazer investimen-tos, afirmou.
O ministro buscou demonstrar, durante sua apresentação no balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que a economia brasileira segue um ritmo prudente de recuperação, depois de ter sofrido uma retração entre o final do ano passado e o primeiro trimestre deste ano. Pelas projeções apresentadas, o País deve ter fechado o terceiro trimestre com um crescimento de 2% a 2,2% em relação aos três meses anteriores, o que levaria a economia a encerrar o ano de 2009 com uma expansão de 1%.
Para 2010, Mantega prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) o conjunto de riquezas produzidas pelo País irá crescer entre 4,5% e 5%, sem trazer impactos sobre os preços de produtos e serviços no mercado doméstico, garantido assim a manutenção dos índices de inflação dentro da meta perseguida pelo Banco Central.
Mantega voltou a defender a política fiscal adotada por sua equipe, mas evitou entrar em embate direto com o BC, que no último Relatório de Inflação argumentou que a elevação dos gastos públicos poderia provocar aumento de preços. Se a inflação subir, o Comitê de Política Monetária (Copom) seria forçado a elevar a taxa básica de juros, que atualmente está em 8,75%, menor patamar histórico.
No entender do ministro, o próprio mercado, ao estimar um crescimento acima de 5% para o Brasil em 2010, estaria alimentando as projeções de retomada do ciclo de aperto dos juros. Não acho que vamos ter crescimento acima de 5%, não se justifica essa expectativa que está gerando uma elevação indevida da taxa de juros futura, criticou. Tem gente interessada em elevar a taxa de juro, precisamos tomar cuidado com isso, acrescentou. Para o ministro, a economia brasileira está preparada para crescer até 5% sem gerar pressões inflacionárias. Portanto, não vejo necessidade de elevação da taxa de juro, afirmou.
Depois do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, ter admitido na quarta-feira que a atual escalada de valorização do real frente ao dólar é uma preocupação para o governo, Mantega reconheceu que existem alguma pressão sobre o mercado de câmbio doméstico, mas não caracterizou os ganhos da moeda brasileira como resultado de um movimento excessivo de entrada de recursos externos.
Para o ministro, a valorização do real está relacionada com a série de lançamentos de ações na Bovespa, como a feita pelo banco Santander essa semana, que tem trazido investidores estrangeiros a colocar seu dinheiro no mercado local. Ainda assim, Mantega ponderou que o movimento é positivo e reflete a força com que o Brasil saiu da crise financeira. A entrada na bolsa é positiva porque disponibiliza recursos e capital para as empresas investirem, disse. Isso traz alguma pressão mas estamos agressivamente comprando reservas e estamos atento se houve excessos, ponderou.
O BC vem comprando diariamente dólares no mercado financeiro, o que tem contribuído para diminuir a velocidade de desvalorização da moeda americana e engordado as reservas internacionais do País, que já ultrapassam a marca de US$ 225 bilhões.


