Brasil não cumpriu 11 cartas de intenção
O governo brasileiro assinou 11 cartas de intenção com o FMI na década de 80, mas não conseguiu cumprir nenhuma delas. Sem recursos para quitar as dívidas com os credores internacionais, o País era obrigado a recorrer ao FMI e a traçar metas de saneamento da economia.
A crise começou no final de 82, quando o México parou de pagar seus débitos por causa da crise do petróleo, que elevou o preço do óleo e os juros internacionais. O México foi seguido por outros países do Terceiro Mundo, inclusive o Brasil. Os juros anuais da dívida brasileira subiram de pouco menos de 10% para 22%.
Para obter empréstimos do FMI, o Brasil tinha de prometer reduzir a inflação, cortar gastos e pagar em dia aos credores internacionais. A primeira carta de intenção foi entregue ao FMI em janeiro de 83. O governo previa manter a inflação em 70% no ano. Um mês depois, a previsão subiu para 90%. Na terceira carta, em setembro, a inflação prevista já estava em 150% ao ano. Em novembro, saltou para 220%. Junto com as novas cartas, o governo encaminhava ao FMI pedidos de waiver (perdão), exigência do órgão para não interromper o crédito.
Para fiscalizar o cumprimento das promessas, técnicos do FMI faziam frequentes visitas ao País. A economista chilena Ana Maria Jul foi uma das fiscais do FMI que mais esteve no Brasil nos anos 80. As andanças de Jul pelos ministérios - sempre carregando uma pesada mala com dez quilos de papéis - era acompanhada de perto pelos jornalistas. Jul acabou se tornando tão conhecida como os ministros.
A negociação da dívida brasileira só terminou em abril de 94, quase 12 anos depois. E sem o aval do FMI. O acordo foi fechado diretamente com os credores privados. Total do débito: US$ 98 bilhões.





