Brasil mira o potencial mercado chinês
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quarta-feira, 28 de abril de 2004
Beth Moreira<br> Agência Estado 
São Paulo - O crescimento anual médio de 61% nas exportações brasileiras para a China nos últimos quatro anos salta aos olhos. Uma análise da pauta de exportações, no entanto, revela uma forte concentração em produtos de menor valor agregado, com destaque para o complexo soja, minério de ferro e produtos siderúrgicos. O alerta está na edição de abril da Sinopse Econômica, publicação da área de planejamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Segundo o documento, uma análise do tamanho e do desempenho recente do mercado chinês, bem como da capacidade de exportação do Brasil, sugere significativas potencialidades de ampliação e diversificação das vendas brasileiras para a China. ''Em particular, existem potencialidades de aumento nas vendas, por exemplo, de produtos siderúrgicos de maior valor agregado, pedaços de frango congelados e compressores'', afirma a análise.
Em 2003, as exportações brasileiras para aquele país aumentaram 78% em relação ao ano anterior, chegando a US$ 4,53 bilhões. O desempenho fez com que o país se tornasse o terceiro maior mercado consumidor das exportações brasileiras. O saldo comercial brasileiro com a China saiu de um déficit em torno de US$ 200 milhões ao final dos anos 90 para um superávit de US$ 2,4 bilhões em 2003.
As vendas brasileiras de aço para a China cresceram mais de 500% no ano passado, atingindo US$ 750 milhões. Esse aumento fez o País passar da sexta para a segunda posição como destino das exportações brasileiras. ''O ótimo resultado deveu-se sobretudo a aumentos no volume exportado nos diferentes segmentos do aço; mas também foi beneficiado pela recomposição dos preços do produto no mercado internacional, em função do próprio aumento da demanda chinesa'', ressalta a análise.
A demanda chinesa tem crescido especialmente nos segmentos com alto valor agregado, como é o caso dos aços revestidos e dos aços especiais. Entre 1995 e 2002, as importações chinesas de tais produtos passaram de apenas US$ 511 milhões para US$ 3,2 bilhões. No mesmo período, contudo, as exportações brasileiras ficaram bastante concentradas em produtos de pouco valor agregado, como é o caso das placas de aço.
A análise ressalta, no entanto, que o dinamismo da economia chinesa não tem apenas aspectos positivos. Segundo o documento, o Brasil sofre com os reflexos da elevação de determinados preços internacionais sobre a inflação brasileira. Somente nos dois primeiros meses do ano, os preços do ferro, aço e derivados subiram 8,4%, contra uma alta de 2,2% no índice geral.
A análise destaca que o Brasil começa a diversificar suas vendas, introduzindo produtos de maior valor agregado, e afirma que a participação dos semi-acabados nas exportações brasileiras de aço caiu de 66% em 2002 para 56% em 2003, enquanto a de revestidos aumentou de 17% para 22% no período. ''As vendas brasileiras de laminados a frio e aços especiais, porém, continuam em um patamar bastante reduzido'', afirma.


