Brasília - A economia do Brasil deverá crescer 3,5% este ano e repetir o índice em 2007, prevê o Fundo Monetário Internacional (FMI). No relatório Panorama Econômico Mundial, divulgado ontem, o país fica novamente abaixo da média mundial, prevista em 4,9% para 2006 e 4,7% para 2007. A previsão brasileira também é menor que a média dos países em desenvolvimento, prevista para ficar em 6,9%. A China deve crescer 9,5% este ano, a Índia, 7,3%, e o continente africano, 5,7%.
  Em 2004 a média mundial de crescimento da economia foi de 5,3% e a brasileira foi de 4,9%. Em 2005, a economia mundial cresceu 4,8%, e o Brasil ficou em 2,3%.
  ‘‘Sinais recentes mostram aumento de atividade (econômica), especialmente no varejo e na produção industrial, e espera-se que o crescimento aumente em 2006, quando a diminuição na taxa de juros influenciará uma recuperação de investimentos’’, diz o texto do relatório. ‘‘Com pressões inflacionárias moderadas, existe espaço para continuar a diminuição das taxas de juros iniciada em setembro de 2005’’.
  O documento recomenda ainda que, ‘‘para continuar o progresso feito na redução da dívida pública, será importante resistir às pressões de acomodação fiscal e manter altas taxas de superávit primário’’. Além disso, sugere ‘‘esforços’’ para melhorar a qualidade da política fiscal.

  Pressões - No boletim ‘‘World Economic Outlook’’, o Fundo frisa que depois de uma ‘‘forte desaceleração da atividade’’ econômica no ano passado, o país irá se recuperar neste ano, ‘‘com um fortalecimento do crescimento’’, que deve atingir 3,5%, contra os 2,3% registrado no ano passado, segundo o documento.
Para 2007, a economia brasileira deve também atingir 3,5% de crescimento, informou o Fundo.
  O FMI recomendou, no entanto, que, ‘‘para prolongar os (efeitos dos) esforços feitos para a redução da dívida pública, será importante resistir às pressões para um melhor controle fiscal, a fim de manter um alto superávit primário’’. A meta de superávit primário no Brasil hoje é de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, o Fundo propõe ‘‘aumentar o crescimento a médio prazo, com esforços de reformas, inclusive melhorando a qualidade da política fiscal e do clima empresarial’’.
  O acordo entre o Brasil e o Fundo terminou em março do ano passado. Em dezembro de 2005, o governo decidiu fazer o pagamento antecipado da dívida com o organismo internacional, que era de cerca de US$ 15,5 bilhões.

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