Brasil mantém-se como reciclador mundial de latas
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segunda-feira, 05 de julho de 2004
Agência Estado 
São Paulo - Dois dos maiores mercados recicladores de latas de alumínio do mundo - Japão e Estados Unidos - reduziram seus índices de reciclagem no ano passado, abrindo espaço para o Brasil se manter no topo do ranking da atividade pelo terceiro ano consecutivo entre os países em que a prática não é obrigatória por lei. Em 2003, o Brasil atingiu um índice de 89% nessa categoria, Japão registrou taxa de 81,8% e os EUA alcançou 50%.
Os dados foram divulgados ontem pela Associação Brasileira do Alumínio (Abal), em conjunto com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas). Segundo as entidades, a Europa ainda não divulgou o índice de 2003, mas a média do continente em 2002 foi de 46%. O Japão registrou uma queda de 1,3% em seu índice de reciclagem em 2003 em comparação com a taxa obtida em 2002.
Segundo dados da Japan Aluminium Can Recycling Association, citados pelas associações brasileiras, a redução ocorreu por causa das embalagens ''bottle can'', que copiam o formato de uma garrafa e possuem tampa rosqueável. A entidade explica que embora as tampas desse tipo de embalagem sejam recicláveis, geralmente são descartadas à parte, o que dificulta seu retorno. As ''bottle cans'' representam 11 % do mercado japonês de latas, estimado em 18 bilhões de unidades ao ano.
Nos Estados Unidos, maior mercado de latas no mundo, foram recicladas 49,9 bilhões de latas em 2003, com queda de 4% em seu índice em relação com a taxa de 54% registrada de 2002. Segundo dados da The Aluminum Association, a indústria do alumínio nos EUA pagou diretamente às pessoas que coletam latas US$ 800 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões).
Em comunicado, o coordenador da comissão de reciclagem da Abal, José Roberto Giosa, ressalta que o índice recorde no Brasil, de 89%, ainda não leva em conta, em seu cálculo, alguns pequenos recicladores de latas. ''Se fosse possível medir o consumo de sucata de latas nesse segmento, o índice aumentaria em 2 ou 3 pontos percentuais'', afirma Giosa.
No Brasil, o alumínio de uma lata que sai da fábrica leva apenas 33 dias, em média, para voltar ao mercado como matéria-prima de uma nova embalagem. Em 2002, esse ciclo durava 36 dias. No País, mais de 160 mil pessoas obtêm uma renda média de 2 salários mínimos com a reciclagem de latas de alumínio. ''Além de gerar trabalho e renda para uma grande população carente em todas as partes do País, a coleta e a comercialização de latas para reciclagem estão estimulando a formação de milhares de cooperativas e pequenas empresas'', afirma Paulo Camillo Penna, executivo da Abralatas.


