Brasília O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, chegou ao final do primeiro ano de governo sem cumprir sua meta de unificar os esforços das várias áreas que atuam na promoção comercial. Curiosamente, o MDIC e o Itamaraty continuam reforçando seus portais na Internet voltados para as empresas interessadas na venda de bens e de serviços no mercado externo. Mas tanto um ministério quanto o outro evitou a rivalidade e conduziu ações para promover as exportações brasileiras conforme suas próprias vocações.
''Meu alvo é a micro e pequena empresa exportadora. Por isso, temos de ser operacionais. Temos de trabalhar a cadeia produtiva, a capacitação da empresa para o mercado externo e até mesmo verificar se o empresário fez um catálogo de seus produtos e se tem visto no passaporte para entrar no país onde participará de uma feira'', resume Juan Manuel Quiróz, presidente da Agência de Promoção das Exportações (Apex), vinculada ao MDIC.
''O ideal seria trabalharmos juntos. Mas o nosso perfil é mais atrelado às prioridades da política externa brasileira, da qual somos um instrumento. Em vez de atirar para todo o lado, estamos focados na construção da imagem do Brasil e no lobby das empresas brasileiras além das fronteiras do País'', declarou o embaixador Mário Vilalva, diretor-geral do Departamento de Promoção Comercial (DPR) do Itamaraty.
Segundo Vilalva, o Itamaraty ainda aguarda a proposta do MDIC de um convênio de cooperação entre a Apex e o DPR - algo que, na proposta original de Furlan, significaria criar a base para uma eventual Câmara de Promoção Comercial. Convênios semelhantes já foram assinados pela Apex com o Banco do Brasil e os Correios. Entretanto, a idéia de Furlan recebeu um discreto sinal de contrariedade do Itamaraty, que decidiu elevar o status do departamento e subordiná-lo diretamente à sua Secretaria-Geral.
Na prática, enquanto o convênio não é firmado, cada um dos ministérios investe em seus próprios serviços eletrônicos para o exportador - o BrazilTradeNet, das Relações Exteriores, e o Portal do Exportador, do Desenvolvimento - conforme suas próprias orientações. Algumas vezes, Apex e DPR batem as cabeças ao lidarem com temas comuns, como a exploração de mercados não-tradicionais.
Resultados Mesmo sem conexão entre si, os resultados das duas áreas foram expressivos em 2003 e respondem por uma parcela das exportações brasileiras no ano, que rondam US$ 70 bilhões. Com um orçamento de R$ 198 milhões, a Apex desenvolveu mais de 80 projetos ao longo do ano, que envolveram 46 setores produtivos nacionais. Segundo Quiróz, foram realizados 410 eventos internacionais: 328 feiras setoriais, 31 projetos compradores, 12 projetos vendedores, 8 missões institucionais lideradas por Furlan e 31 missões empresariais setoriais. Essas iniciativas permitiram o fechamento de contratos que somam US$ 398,7 milhões e que prometem gerar 111,4 mil postos de trabalho. Mais US$ 2,063 bilhões em negócios seguem em negociação.
Mais institucional e voltado ao médio e grande exportador, o DPR não contabiliza os seus resultados na ponta do lápis. Mas, com um orçamento de apenas R$ 7 milhões em 2003, o departamento fez um pequeno milagre.
Manteve os 54 Setores Comerciais, escritórios especializados instalados em embaixadas brasileiras consideradas estratégicas para a expansão das vendas externas do País. Também investiu R$ 700 mil no aperfeiçoamento do portal Brazil Trade Net, que tornou-se o instrumento eletrônico mais sofisticado da Esplanada dos Ministérios, e organizou 24 missões empresariais a 22 países -a maioria delas vinculada às visitas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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