São Paulo - Somente dez países têm juro real positivo. Na liderança (com folga) está o Brasil, que tem taxa de 6,8% ao ano. O segundo lugar é do Chile, com juro real de 1,5% ao ano. Os dados são de levantamento de Jason Vieira, da Cruzeiro do Sul Corretora, que compara as taxas das 40 principais economias do mundo.
Economistas explicam que a atual configuração do ranking se dá, basicamente, por dois motivos. O primeiro está relacionado à alta taxa básica de juros (Selic) para conter a inflação. Na quarta-feira, o Banco Central elevou novamente a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 12,25% ao ano.
O segundo fator tem a ver com a crise financeira de 2008, que forçou a redução das taxas de juros ao redor do mundo, ao ponto de deixá-las negativas. O objetivo dos países com o recuo é tentar aquecer a suas economias. ''Agora, o Brasil está em primeiro com taxa real de 6,8% porque a inflação do País obrigou o Banco Central a subir a Selic'', comenta Rafael Martelo, economista da Tendências Consultoria.
A professora do Insper (ex-Ibmec São Paulo), Vitória Saddi, acredita também que a memória de hiperinflação no Brasil ''provoca medo no governo em reduzir o juro''. Ela cita, no entanto, que a curva do juro nacional está em queda. ''Em 2002 tínhamos juro real próximo de 40% ao ano'', pontua.
Para o Brasil ter juro real de 1,5% (como é o do Chile) seria necessário reduzir a Selic (hoje em 12,25% ao ano) para algo como 5,5% ao ano - considerando a meta de inflação de 4,5% anuais.
Enquanto o Brasil eleva o juro para conter a inflação provocada sobretudo pelo consumo excessivo, os países desenvolvidos derrubam suas taxas para tentar movimentar suas economias. ''O padrão histórico é juro real positivo'', frisa Martelo, da Tendências. ''As taxas negativas são sazonais. É mais uma das tentativas de recuperação econômica'', endossa Vitória.
Prejudicial
O juro alto deixa os empréstimos mais caros. Os principais prejudicados com tal situação são os setores produtivos. ''Para a indústria, por exemplo, é ruim haver juro alto. Fica mais difícil investir porque os financiamentos ficam mais caros'', diz Martelo. Aos investidores, no entanto, o juro alto torna algumas modalidades de aplicação mais rentáveis. ''Os agentes ficam menos propensos ao consumo e mais interessados em investir'', comenta o economista.

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