Brasília - Apesar do crescimento de 32% das exportações, que chegaram a US$ 96,5 bilhões no ano passado, o Brasil não se moveu do posto de 25º maior exportador do mundo - a mesma posição de 2003, quando foram embarcados US$ 73,1 bilhões para o exterior. O relatório ''Comércio Mundial 2004 - Panorama para 2005'', divulgado ontem pela Organização Mundial do Comércio (OMC), mostra também que a participação do País nas exportações mundiais avançou somente 0,1 ponto porcentual em relação a 2003. O Brasil respondeu, no ano passado, por uma fatia de 1,1% das vendas mundiais.
O ranking de maiores exportadores foi novamente liderado pela Alemanha, que vendeu no ano passado US$ 914,8 bilhões - cifra quase dez vezes maior que a do Brasil -, com participação de 10% nas exportações mundiais. O segundo posto ficou para os Estados Unidos, com US$ 819 bilhões. A surpresa foi a China, que ultrapassou o Japão e alcançou o terceiro lugar, com exportações de US$ 593,4 bilhões. O ranking foi preparado com base no cálculo nominal das exportações, que inclui as reexportações de bens importados.
Os dados da OMC mostram que o Brasil foi o único sul-americano a figurar no ranking. Mas o País ficou bem atrás do México, um dos sócios da Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) e um dos campeões mundiais em tratados desse gênero. Com exportações de US$ 188,6 bilhões, o México ocupou o 13º posto. O Brasil manteve-se também em posição menos favorável que outras oito economias em desenvolvimento - Tailândia, Malásia, Cingapura, Taiwan, Rússia, Coréia, Hong Kong e a China.
O relatório registra, no entanto, o potencial de crescimento das exportações brasileiras, ao assinalar a expansão ocorrida em 2004. O aumento de 32% foi bastante superior à média de crescimento nominal das exportações globais, de 21% no período. O porcentual de aumento foi ainda o quarto maior registrado, inferior apenas aos da Rússia e da China, de 35%, e da Polônia, de 38%.
O embaixador Piragibe Tarragô, diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, lembrou que a magra fatia do Brasil no comércio global não diminui sua relevância na esfera de discussões internacionais. Segundo Tarragô, na OMC o Brasil sempre foi considerado mais pelo tamanho de sua economia, pelo seu histórico empenho na criação do sistema multilateral de comércio e pelo seu potencial de aumento de exportações e importações.
Entretanto, o vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro, ponderou que a possibilidade de avanço expressivo nas exportações, nos próximos anos, continua a esbarrar em entraves internos - as taxas de juros elevadas, a taxa de câmbio considerada inadequada pelos exportadores, a burocracia, o sistema tributário e a insuficiente e deficiente infra-estrutura. ''Fizemos um ótimo esforço em 2004, mas precisamos de algo muito mais vigoroso para que o Brasil possa mover, de forma visível, o 'ponteirinho' de sua participação nas vendas mundiais'', afirmou.

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