As restrições comerciais impostas pela Argentina voltaram a refletir no movimento de caminhões na Estação Aduaneira Interior, em Foz do Iguaçu. Fiscais do Ministério do Agricultura diminuíram, ontem, o ritmo das liberações de produtos argentinos, retendo os motoristas na fronteira. A medida é uma resposta à barreira adotada nesta semana pelo país vizinho à entrada de frango, peixe e carne de porco de origem brasileira.
Cinquenta caminhões formaram fila no acostamento da BR 277 (acesso ao portão da aduana) aguardando para entrar no pátio. Outros 398 caminhões, de várias procedências e destinos, estavam no estacionamento. A capacidade da Eadi é de 567 veículos. A maioria deve ser liberada na segunda-feira em virtude do meio expediente neste sábado e folga dos fiscais amanhã.
O caminhoneiro Deoclério Shwanbach, 48 anos, era um dos que estavam a espera da vistoria no carregamento de abacaxi. Ele conta ter saído de Uberlândia (MG), com destino a Buenos Aires, na Argentina. Otimista, disse acreditar na possibilidade de ingressar no país vizinho ainda neste final de semana. ‘‘Depois da fiscalização do Ministério da Agricultura, resta conseguir passar pela aduana argentina’’, afirma.
A disputa entre os dois países iniciou no primeiro começo deste semestre. Ela foi agravada com o boicote a entrada de alguns hortifrutigranjeiros --principalmente tomate-- na Argentina. Pelo menos 150 toneladas do produto foram barradas na aduana, sendo obrigada a retornar ao País. Na semana passada, entretanto, a Argentina derrubou a barreira, porém restringiu a entrada de carne.
Mas, segundo diretores da aduana argentina, a barreira ao frango, peixe e carne de porco havia sido derrubada anteontem à noite. Eles esperam que o Brasil tomem a mesma atitude, normalizando as transações comerciais. A Folha tentou contato com a assessoria do Ministério da Agricultura em Curitiba e em Brasília, porém não teve retorno. O coordenador do Serviço de Vigilância Agropecuária do MA, em Foz, Gil Bueno Magalhães, está em viagem.

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