Os investimentos estrangeiros diretos (IED) na América Latina e Caribe em 1997 somaram US$ 56,136 bilhões, 28% a mais em relação a 1996, e as perspectivas para este ano são ainda mais animadoras apesar da crise. De acordo com dados que foram divulgados ontem pela Comissão das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), as duas regiões absorveram 1/3 dos investimentos diretos em países em desenvolvimento.
O maior destaque, segundo o Informe Mundial de Investimentos da Unctad, foi o Brasil, onde foram parar US$ 16,399 bilhões. O México aparace depois (US$ 12,1 bilhões), seguido da Argentina (US$ 6,327 bilhões), Chile (US$ 5,417 bilhões), Venezuela (US$ 4,893 bilhões), Colômbia (US$ 2,447 bilhões) e Peru (US$ 2 bilhões). ‘‘O crescimento do IED no Brasil reflete a combinação de políticas macroeconômicas eficazes, abertura da economia e privatizações’’, diz a Unctad.
Os EUA continuam sendo o país que mais investe na América Latina, com US$ 24 bilhões. Logo atrás vêm a Alemanha, França, Espanha e Reino Unido. Entre os setores que mais recursos norte-americanos atraíram em 97 estão o automobilístico, eletrônico e manufaturados. Já os europeus preferiram os setor de serviços, principalmente nos países do Mercosul.
Neste bloco econômico, acrescenta a Unctad, ‘‘a principal força para atrair esses recursos parece ser a expansão do mercado e a crescente concorrência entre empresas norte-americanas, européias e asiáticas, principalmente no setor automobilístico e na indústria química’’.
A Unctad lembra que os investimentos estrangeiros diretos nos últimos anos não se devem apenas às oportunidades abertas pelas privatizações, mas também ao surgimento de ‘‘novos ativos’’, como processos de modernização de companhias privadas ou de subsidiárias de empresas estrangeiras.
Outro dado importante da Unctad é o crescimento dos fluxos de IED que saem da região. Em 97, os países latino-americanos investiram no exterior US$ 9,97 bilhões, bem acima dos US$ 2,3 bilhões registrados em 96. Essa tendência, segundo a Unctad, se deve à boa resposta que estão tendo as empresas regionais e às oportunidades de investimento em função da abertura dos mercados e dos processos de privatização na AL.
O Brasil também aparece como principal investidor, com US$ 1,569 bilhão, seguido do Chile (US$ 1,149 bilhão), Panamá (US$ 1,082 bilhão), México (US$ 1,037 bilhão) e Venezuela (US$ 547 milhões).
A Unctad considera que as perspectivas de futuro para a região em termos de IED são boas, já que a crise asiática parece não ter afetado os fluxos de entrada de capital estrangeiro. Segundo a Unctad, os investimentos estrangeiros diretos realizados por empresas privadas e múltis este ano podem superar o recorde de US$ 430 bilhões, apesar da queda prevista no crescimento econômico mundial e da crise financeira internacional.

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