Brasil lidera ranking comercial de emergentes
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quinta-feira, 12 de agosto de 2004
Rita Tavares<br>Agência Estado 
São Paulo - O saldo da balança comercial do Brasil é o maior, em valores, entre os emergentes. A revista inglesa ''The Economist'' compara o desempenho comercial de 25 países no acumulado de 12 meses até junho ou julho deste ano e põe o Brasil à frente dos latinos Venezuela, México e dos asiáticos China, Coréia do Sul, Indonésia, Cingapura, Malásia e Taiwan. Do total de 25 países, apenas o saldo da Rússia supera o do Brasil, puxado pelas vendas de petróleo e gás que respondem por mais de 50% das exportações. A revista atualiza semanalmente esses indicadores.
Até julho, o saldo do Brasil acumulado em 12 meses foi de US$ 30,9 bilhões. No mesmo período, a Coréia do Sul alcançou um saldo de US$ 30 bilhões. Os dados disponíveis para Indonésia, Malásia e China são de junho, indicando os respectivos saldos acumulados em 12 meses: US$ 27,9 bilhões, US$ 19,5 bilhões e US$ 15,3 bilhões. O resultado (todos em 12 meses) dos latino-americanos é bem menor. A Venezuela acumulou um saldo de US$ 17,8 bilhões até abril. O México teve um déficit de US$ 5,5 bilhões até junho . Chile teve superávit de US$ 6,2 bilhões até junho, enquanto a Argentina, um saldo de US$ 13,4 bilhões até junho.
No caso da Rússia, o superávit acumulado em 12 meses até maio foi de US$ 67,1 bilhões, sendo que petróleo, gás e metais somam quase 70% das exportações do país. A Índia, outra locomotiva entre os emergentes, tem déficit de US$ 16,9 bilhões até junho. O mesmo vale para a Túrquia, com déficit comercial de quase US$ 30 bilhões.
''É um resultado muito bom'', comenta o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro, lembrando que o Brasil ficou em 13º lugar no ranking geral dos países em 2003. Desse grupo, os emergentes Rússia, Indonésia, China e Taiwan estavam à frente do Brasil. Do ponto de vista da corrente do comércio, Castro ponderou que o saldo pode ser questionado já que foi produzido com um crescimento de importações proporcionalmente menor do que o de exportações. Até julho, as exportações brasileiras cresceram 33,7% e as importações, 26,7%, sendo que a de bens de capital, só 14,7%.
''Acho que esse saldo comercial não se repete em 2005 e talvez a situação entre os emergentes esteja diferente no final deste ano'', previu Castro, estimando que o saldo brasileiro feche o ano em US$ 31 bilhões. Além da expectativa de crescimento da demanda interna em 2005, o que puxaria as importações, o saldo deve sofrer o impacto da queda do preço das commodities no mercado internacional.
O economista Ricardo Amorim, responsável pela área de emergentes do banco WestLB, reforçou a expectativa do vice-presidente da AEB, ao dizer que a balança agrícola, onde estão 42% das exportações brasileiras, produziu ''praticamente todo o superávit comercial nos últimos 12 meses''. ''O resto da balança teve resultado praticamente equilibrado'', afirmou Amorim.


