O Brasil se destaca como nação empreendedora, mas perde em quesitos como educação, capital e falta de estrutura, como fatores que alavancam e sustentam um negócio. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada em 21 países, que teve como objetivo traçar a relação entre empreendedorismo e crescimento econômico. A pesquisa foi realizada pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM) e foi divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Paraná (IBQP-PR).
Não fossem esses entraves, o Brasil seria uma nação próspera em função do caráter heróico de sua população que busca se estabelecer com um negócio próprio, avaliou Marcos Mueller Schlemm, responsável pelo projeto GEM no Brasil. A divulgação da pesquisa tem como meta a oferta de subsídios para o governo traçar políticas públicas de apoio ao empreendedorismo como alternativa de dar sustentação ao crescimento econômico, afirmou Schlemm.
A pesquisa entrevistou 2 mil pessoas em todo o País no período de maio a agosto deste ano. Também foram consultados 55 especialistas de várias regiões que deram suas visões como o País é visto nesse segmento. A pesquisa aponta que em cada oito adultos, um está iniciando um novo negócio. Comparativamente, nos Estados Unidos a proporção é de 1 para 10, na Austrália uma iniciativa em cada 12 adultos, na Alemanha, 1 em cada 25 e no Japão um cada 100.
Uma revelação da pesquisa é o empreendedorismo da mulher brasileira onde de cada dois homens que se envolvem com iniciativas próprias, uma é mulher, destacou Schlemm. Segundo ele, proporcionalmente a mulher é mais envolvida com o empreendedorismo quando comparado com as mulheres de outros países. ‘‘Esse é um fato que merece um estudo mais aprofundado’’, destacou. Ele supõe que a mulher entra no mercado de trabalho por questão de sobrevivência. Outra revelação é que os jovens brasileiros se lançam no negócio próprio mais cedo que jovens de outros países, entre 18 e 24 anos.
Apesar do voluntarismo dos jovens e das mulheres, Schlemm ressaltou que falta suporte do poder público à essas iniciativas. Disse que a grande mola propulsora da atividade empreendedora na nova economia é o capital de risco, de investidores que emprestam o dinheiro para o negócio e assume o risco junto com o empreendedor.
Enquanto isso, permanecem as dificuldades de acesso ao capital o que cria dificuldades para a solidez das empresas. Schlemm destacou que quase a metade das novas empresas criadas não sobrevivem ao período inicial de 42 meses. Essa informação deve servir como alerta ao governo que deve criar mecanismos de suporte a esses empreendimentos. O coordenador da pesquisa lembrou ainda a carência do sistema de ensino brasileiro que não está voltado para o empreendedorismo.
O secretário da Ciência e Tecnologia, Ramiro Wahrhaftg, destacou que são poucos os empreendimentos na área tecnológica. No Brasil o índice mais alto de pessoas empreendedoras estão na faixa de renda familiar entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, o que corresponde a um perfil de empreendedores que não se enquadra na nova economia.

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