Brasil lidera exposição a crédito bancário externo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de fevereiro de 2014
Fernando Nakagawa<br>Agência Estado 
Londres - Entre os emergentes do grupo apelidado de "Cinco Frágeis", o Brasil foi o que mais aumentou a exposição à dívida bancária externa desde o estouro da crise. Levantamento feito pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, mostra que o total de empréstimos externos tomado por bancos e empresas no Brasil saltou 66,4% desde junho de 2008, o equivalente a US$ 76,8 bilhões. A dependência externa é um dos temas que preocupam analistas diante da atual redução da oferta de crédito internacional.
Dados do Banco de Compensações Internacionais (BIS) e do Banco Mundial mostram que clientes brasileiros eram responsáveis por US$ 192,6 bilhões em dívidas no exterior em junho de 2013, o último dado disponível. O aumento desse montante ficou à frente do observado na África do Sul, Índia, Indonésia e Turquia - os demais países do grupo que tem sofrido com a desconfiança do mercado.
Desde junho de 2008, o crédito externo aumentou 61,6% na Índia, ritmo 5 pontos inferior ao visto no Brasil. No restante dos "Cinco Frágeis", o crescimento foi menos intenso: 49,7% na Indonésia e, bem atrás, aparecem a Turquia (10,5%) e África do Sul (2,1%).
Entre os emergentes, o grande tomador de crédito nesse período foi a China, onde a carteira saltou 250,3%. No sentido contrário, países que foram abatidos pela crise tiveram forte redução do endividamento. Na Espanha, por exemplo, a dívida bancária externa diminuiu quase pela metade e recuou 42,8%. Nos EUA, caiu 6,1%. No jargão econômico, é a chamada "desalavancagem" da economia. Esse dado não contempla captações e emissões de dívida realizadas diretamente por bancos, empresas e governos. Também não são somados empréstimos entre sede e filial de empresas.
O crescimento de 66,4% do crédito bancário externo para o Brasil é semelhante ao ritmo visto dentro do País. No mesmo período, o total de empréstimos concedidos pelo sistema bancário que opera no País para clientes domésticos aumentou cerca de 70% em dólar, segundo dados do Banco Central.
Normalização
As cifras mostram que bancos e grandes empresas aproveitaram a enorme oferta de crédito barato nos EUA, Europa e Japão. O fenômeno foi resultado da política monetária ultrarrelaxada de países ricos que injetaram bilhões de dólares em suas economias para tentar reanimar a atividade. Parte desses recursos acabou sendo direcionada ao crédito corporativo e, assim, chegou ao Brasil. Agora, com a melhora da economia dos EUA e a retirada gradual de estímulos, analistas temem que emergentes sofram com a menor oferta do crédito que era abundante recentemente.
Segundo os economistas do banco Barclays, o Brasil é o principal destino do crédito bancário norte-americano entre os grandes emergentes, com quase US$ 100 bilhões em empréstimos. Entre os demais países, cerca de US$ 60 bilhões estão emprestados para clientes na Índia, US$ 28 bilhões para a Turquia e US$ 10 bilhões para a África do Sul.


