Mesmo honrando estimativas que indicam recorde de comercialização de carne bovina em 2003 e chegando ao primeiro lugar no ranking de exportações, o Brasil deve faturar no máximo a metade do que os Estados Unidos ganham com a venda do produto. O Brasil deve exportar este ano 1,4 milhão de toneladas de carne, frente ao 1,16 milhão de toneladas de carne americana. No entanto, as exportações dos Estados Unidos devem render àquele país US$ 4,06 bilhões, quase o dobro do que o Brasil vai faturar com a venda de sua carne, cerca de US$ 2,24 bilhões. A defasagem de preços deve-se à falta de acordos sanitários, que impedem a entrada da carne brasileira em mercados onde o produto é mais valorizado.
Segundo o presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Antenor Nogueira, a valorização da carne norte-americana frente à brasileira deve-se aos mercados que os Estados Unidos conseguem atingir com seu produto. ''Países como os próprios Estados Unidos, os Tigres Asiáticos (Tailândia, Coréia do Sul, Hong Kong e Vietnã) e a Austrália pagam cerca de US$ 3,5 mil por tonelada de carne, enquanto a União Européia e países do Oriente Médio não pagam mais de US$ 1,6 mil.''
A falta de acesso a esses mercados, para Nogueira, é decorrente da inexistência de um acordo sanitário com os Estados Unidos. ''Mas o Brasil já tenta, há algum tempo, cumprir as normas estabelecidas pelos norte-americanos''. Técnicos do setor de pecuária dos EUA já visitaram o País para conhecer os métodos de produção e manejo do gado e devem preparar um relatório que será apresentado em audência pública para autoridades americanas. A decisão sobre a abertura das importações de carne brasileira deve sair logo depois. ''é bem provável que, no ano que vem, já tenhamos direito a uma cota para exportar para os EUA'', disse Nogueira.
Ao se referir aos entraves que o Brasil enfrenta para atingir mercados com maior exigência sanitária, Nogueira citou o fato de somente o Estado de Santa Catarina ser considerado pela Organização Internacional de Epizootias (OIE) como livre de febre aftosa sem vacinação. ''Esse é um dos pontos que negociamos junto às autoridades sanitárias norte-americanas: a possibilidade de vender carne dos estados livres de febre aftosa com vacinação para mercados mais exigentes'', afirmou.
O cumprimento dos acordos sanitários estabelecidos pelo governo federal com os demais países, segundo Nogueira, tem mostrado o empenho do Ministério da Agricultura em alcançar novos mercados. A CNA espera que as barreira sanitárias com os Estados Unidos sejam vencidas até o segundo semestre de 2004, tempo considerado por Nogueira ''mais que suficiente'' para a adaptação e cumprimento das exigências dos EUA. Atualmente, o Brasil exporta carne bovina para 74 países. A União Européia é o principal destino do produto brasileiro.

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